Escala 6×1 e segurança pública viram armas políticas no segundo turno

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Lula participou de sessão solene de promulgação de PEC que põe fim à escala 6x1 no país (Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal)

Governo tenta capitalizar avanço dos direitos trabalhistas, enquanto divergências sobre medidas contra o crime abrem espaço para críticas da oposição

A aprovação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 e a falta de acordo em torno da PEC da Segurança Pública colocaram o Congresso Nacional no centro das articulações políticas na reta final do segundo turno das eleições de 2026. As duas pautas mobilizam governo e oposição, que tentam associar suas posições a temas de forte interesse dos eleitores: os direitos dos trabalhadores e o combate à criminalidade.

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo portal R7, a discussão sobre a jornada de trabalho pode favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o impasse na área da segurança expõe dificuldades do governo para se posicionar sobre uma das principais preocupações do eleitorado.

Para o cientista político Leandro Gabiati, a aprovação do fim da escala 6×1 permite à campanha petista destacar uma medida concreta voltada aos trabalhadores e deslocar parte do debate eleitoral das críticas aos candidatos para as propostas apresentadas.

“O fim da escala 6×1 fortalece o discurso social e trabalhista de Lula, enquanto a PEC da Segurança — ainda pendente de aprovação — procura reduzir a vulnerabilidade do presidente em um tema sensível para o eleitorado”, afirma.

Gabiati pondera, no entanto, que a aprovação no Congresso não se converte automaticamente em apoio nas urnas. O desafio da campanha de Lula será convencer o eleitor de que a mudança representa um resultado efetivo de sua atuação política.

Oposição tenta dividir os méritos do fim da escala 6×1

A proposta que encerra a escala 6×1 recebeu apoio expressivo no Senado, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário. Para o cientista político Magno Karl, o resultado mostra que a oposição preferiu apoiar a medida a assumir o desgaste de votar contra uma pauta com forte apelo popular.

Segundo o especialista, o apoio amplo também permite que parlamentares da oposição reivindiquem participação na conquista, evitando que a aprovação seja apresentada exclusivamente como uma vitória do governo federal.

A estratégia, porém, não elimina o peso político da iniciativa para Lula, que incorporou o fim da escala 6×1 ao discurso voltado aos direitos trabalhistas.

Durante a promulgação da proposta, na sexta-feira (16), o presidente destacou a mobilização popular em defesa da mudança e citou a participação de trabalhadores, mulheres, jovens e estudantes na pressão pela aprovação.

“O que estamos fazendo hoje é atender à vontade de um povo que foi às ruas exigir isso”, declarou Lula durante a cerimônia.

Impasse na PEC da Segurança Pública

Enquanto o governo busca capitalizar a aprovação da mudança na jornada de trabalho, a discussão sobre segurança pública tem provocado divergências no Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou a PEC da Segurança Pública da pauta do plenário após o avanço de propostas relacionadas à redução da maioridade penal.

O texto havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (14) e tinha votação prevista para o dia seguinte. A discussão perdeu força diante da falta de consenso sobre a idade a partir da qual adolescentes poderiam responder criminalmente por determinados delitos.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos e a responsabilização a partir dos 14 anos em casos de crimes hediondos.

Em outra iniciativa, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), apresentou uma proposta para reduzir a maioridade penal para 16 anos apenas em crimes hediondos. As diferentes posições ampliaram as divergências e dificultaram um acordo para a votação da PEC.

Segurança pública pode pressionar o governo

Na avaliação de Magno Karl, o impasse coloca o governo diante de um dilema eleitoral. De um lado, há a pressão por medidas mais rigorosas contra a criminalidade; de outro, divergências sobre como tratar a redução da maioridade penal e as mudanças na legislação.

O especialista avalia que o tema pode beneficiar o discurso da oposição, que busca associar segurança pública ao endurecimento das medidas contra o crime. Para o governo, a dificuldade está em defender sua posição sem ser acusado de tolerância com a criminalidade.

As duas pautas, portanto, ocupam espaços distintos na disputa eleitoral: o fim da escala 6×1 oferece ao governo uma conquista associada aos direitos dos trabalhadores, enquanto a discussão sobre segurança pública mantém aberta uma frente de desgaste político às vésperas do segundo turno.