Trump ameaça retomar guerra contra o Irã e decisão pode sair até domingo

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Donald Trump (Foto: Licenças Creative Commons)

Presidente dos EUA diz que negociações avançam, mas mantém tom duro sobre acordo nuclear

A possibilidade de uma nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã voltou a preocupar a comunidade internacional neste sábado (23), após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que poderá decidir até domingo (24) se retomará a guerra contra o país do Oriente Médio.

Em entrevista publicada pelo site Axios, Trump declarou que irá analisar com seus assessores a versão mais recente da proposta apresentada por Teerã antes de tomar uma decisão definitiva sobre o futuro das negociações.

“Ou chegamos a um bom acordo ou vou explodi-los em mil infernos”, afirmou o presidente americano, segundo o portal.

Apesar do tom duro, Trump também sinalizou avanço nas conversas diplomáticas. Em entrevista à emissora CBS News, o republicano disse que negociadores americanos e iranianos estão “muito mais próximos” de fechar um acordo para encerrar o conflito iniciado há quase três meses.

Segundo Trump, um eventual acordo deverá impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e garantir controle sobre o enriquecimento de urânio realizado pelo país.

“Só assinarei um acordo se conseguirmos tudo o que queremos”, afirmou.

As declarações acontecem em meio às tentativas de transformar o atual cessar-fogo em um acordo permanente entre os dois países. Desde a suspensão dos ataques, há cerca de seis semanas, diplomatas trabalham para destravar negociações relacionadas ao programa nuclear iraniano e à reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo mundial.

O Paquistão tem desempenhado papel central nas negociações. Neste sábado, o Exército paquistanês informou que houve avanços considerados “encorajadores” nas últimas 24 horas de conversas.

De acordo com comunicado oficial, o chefe do Exército do Paquistão, marechal Syed Asim Munir, participou de reuniões em Teerã com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, além de outras autoridades do governo iraniano.

Munir também se reuniu com o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Qalibaf.

O governo paquistanês atua como principal intermediador entre Washington e Teerã desde o agravamento do conflito, transmitindo propostas e organizando encontros diplomáticos com apoio do Catar.

Na semana passada, os Estados Unidos já haviam rejeitado uma proposta apresentada pelo Irã para encerrar a guerra. Segundo o Axios, o plano foi entregue aos americanos por meio da mediação do Paquistão, mas o governo Trump considerou as condições insuficientes.

Trump também voltou a mencionar a importância estratégica do Estreito de Ormuz e já havia ameaçado retomar ataques caso o Irã mantenha o controle da região sem acordo definitivo.

Apesar da tensão, o presidente americano afirmou ao Axios que vê chances reais de entendimento. Segundo ele, a probabilidade de um acordo é de “50 a 50”.

O cenário internacional segue em alerta diante da possibilidade de retomada do conflito, que pode provocar impactos no mercado global de energia e aumentar a instabilidade no Oriente Médio.