Covid-19 o inimigo invisível da saúde mental; psicóloga fala sobre realidade do consultório no ‘pós covid’

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Depressão, ansiedade e síndromes do pânico. (Foto/Freepik)

Por: Evelyn Thamaris

Um mundo assolado por um vírus, assim tem sido durante praticamente os últimos dois anos, período em que a Covid -19 tem ditado as regras quando a questão é viver, ou como em muitos casos, sobreviver. Rotinas alteradas, hábitos transformados, mudanças forçadas. A doença que devastou o planeta, chegou como um inimigo invisível e desconhecido, desencadeando danos que vão muito além dos físicos.

Atuante na psicologia clínica, Kelly Elaine Pereira, especialista em psicanálise, TCC e psicopedagogia fala ao Enfoque MS sobre realidade que vivência em seu consultório em Campo Grande, mediante a realidade apresentada pelo coronavírus. “As tensões pelo isolamento, angústias e notícias de morte por todos os lados deixou consequências psicológicas de forma coletiva” relata a psicóloga.

Covid-19 o inimigo invisível da saúde mental; psicóloga fala sobre realidade do consultório no ‘pós covid’
Psicóloga clínica, Kelly Pereira. (Foto/Arquivo Pessoal)

Sendo ainda uma enfermidade nova, o estudo realizado por médicos, pesquisadores e cientistas ainda está em fase inicial e em constante evolução, apesar do avanço da ciência e da tecnologia muitos são os mistérios que pairam sob o coronavírus, também conhecido como o vilão das relações sociais.

A profissional da área da saúde mental destaca ainda o aumento na procura por especialistas do ramo, motivados por distúrbios psiquiátricos e psicológicos com queixas de luto, fobia social, ansiedade, depressão, e diversas outras psicopatologias em decorrência da opressão mundial.

Um mal, que como pode se observar, impôs delimitações em ações antes habituais e normais para a humanidade, coisas simples que tiveram de ser eliminadas durante um longo e doloroso período que infelizmente ainda não terminou.

“Em meu consultório tive um grande aumento do público adolescente com queixas de fobia social, ansiedade, automutilação, tentativas de suicídio e depressão. Mulheres e homens com queixas de irritabilidade, raiva, fobias, luto, transtorno obsessivo compulsivo de diversos aspectos entre outras, relatavam em seu discurso o tema COVID”.

Uma era em que as demonstrações de afetos como abraços, beijos e até um singelo aperto de mão ficaram terminantemente proibidos. As confraternizações entre amigos, os almoços de domingo com a família, aquele happy hour após um dia longo de trabalho, o convívio social foi aniquilado.

Diante dessas e muitas outras situações, a raça humana tem ainda hoje, momento em que a doença assume proporções menores, colhido frutos amargos desta mazela. “Pacientes que estavam de alta, retornaram após o COVID com agravamentos dos sintomas”, complementa Kelly.

A doutora enfatiza que, para se desenvolver estratégias que combatam o adoecimento mental da população inserida nessa realidade de forma global, é necessário utilizar como base dados das pandemias ocorridas anteriormente. “É muito importante reconhecermos a necessidade de um psicólogo para o tratamento e direcionamento nesse e em diversos outros momentos de nossas vidas”.

É relevante também destacar que a psicologia está há cerca de 70 anos ajudando brasileiros a vencerem traumas e problemas psicológicos, estes profissionais tem por objetivo analisar a conduta individual, social e auxilia-la de forma benéfica para si, possibilitando transmutar a uma mente mais consciente, dando-lhes mais perspectivas de si mesmos e para meio social em que vivem.

O Enfoque MS é favorável a ações que promovam o bem-estar. Caso você tenha se sentido de alguma forma prejudicado pelas condições atuais ou por qualquer outro motivo que esteja prejudicando sua saúde emocional, não deixe de procurar apoio e auxílio de um profissional capacitado.

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