Vereador se retrata após sugerir ‘descer o cacete’ em índios

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Publicado em 08/03/2018 11h25

Vereador se retrata após sugerir ‘descer o cacete’ em índios

André Salineiro (PSDB) fez declaração na tribuna da Câmara Municipal de Campo Grande, onde criticou manifestação de indígenas que ocorreu na BR-163, na terça-feira (6). Hoje (8), Salineiro redigiu texto para se retratar com os indígenas.

Da redação

Indígenas ocuparam a Câmara Municipal nesta quinta-feira em protesto contra a declaração de André Salineiro (PSDB). Em ocasião anterior, o vereador disse para “descer o cacete mesmo”, se referindo ao procedimento que ele acredita que deve ser adotado pela polícia quando há bloqueio de rodovias pelos indígenas, como ocorreu na terça-feira (6).

De dedo em riste uma liderança indígena interpelou na manhã desta quinta-feira (8) o vereador Salineiro, exigindo que ele se retratasse pela declaração que ele fez no dia anterior, em que criticava o protesto de indígenas que bloqueou o trânsito na BR-163, no mesmo dia, e disse que eles tinham de apanhar, porque se não, não mudariam a atitude (desbloqueariam a estrada).

Salineiro havia em suas critícas, dito que “tem que chegar o policiamento e, se não tiver conversa, tem que descer o cacete mesmo, tem que apanhar porque eles vão revidar e aí é hora de apanhar porque, senão não vão mudar essa atitude e todos seremos prejudicados”.

Mas, hoje, demonstrando preocupação com a repercussão do seu discurso, Salineiro não arriscou no improviso e pediu licença para ler um discurso previamente elaborado, durante sessão da Câmara, onde uma comissão de indígenas que participou da manifestação em favor de melhoria na saúde aguardava em silêncio o pronunciamento do parlamentar.

No discurso, o vereador pediu desculpa aos indígenas, dizendo que se excedeu no uso das palavras, mas que a luta pelos direitos de um grupo, no caso, os indígenas, não poderia resultar na retirada de direitos dos outros. Reiterou ainda que é contra manifestações e protestos que tiram o direito de ir e vir das pessoas, como os bloqueios a rodovias, e que sua manifestação não era especificamente contra os índios, mas sim contra as interrupções recorrentes nas estradas brasileiras.

Logo após, o vereador foi conversar, ainda no plenário da Câmara com as lideranças, que não concordaram com o pedido de desculpa dele. Um dos pontos mais questionados pelos índios era o argumento apresentado por ele de que uma pessoa com câncer teria perdido uma consulta médica em Campo Grande por conta do bloqueio. Os índios não aceitaram essa justificativa.

Após uma breve conversa no local e diante da falta da falta de um acordo uma reunião foi realizada na sala da presidência da Câmara, entre Salineiro, o presidente da Casa, João Rocha (PSDB) e as lideranças.

Salineiro emitiu uma nota à imprensa justificando os comentários. “Soube que um senhor portador de câncer, com consulta marcada há 3 meses perdeu a consulta por causa do bloqueio, e por isso me exaltei. Meu protesto não foi contra os índios, mas sim contra as interrupções recorrentes nas estradas.”

VEJA NA ÍNTEGRA

Com relação ao meu comentário em sessão plenária, na última terça-feira, esclareço que:

Estava me referindo aos protestos que tiram O DIREITO DE IR E VIR das pessoas. Soube que um senhor portador de câncer, com consulta marcada há 3 meses PERDEU A CONSULTA por causa do bloqueio, e por isso me exaltei.

Meu protesto não foi contra os índios, mas sim contra as interrupções recorrentes nas estradas brasileiras que tanto afetam o cidadão de bem. Pessoas perdem seus compromissos, crianças sofrem na espera dentro dos carros, problemas de saúde são agravados, cargas são perdidas, em alguns casos motoristas são extorquidos, etc…

O fato é que bloqueios não resolvem os problemas. Os índios podem buscar os órgãos responsáveis pela saúde indígena. POR QUE NÃO UM PROTESTO EM FRENTE A FUNAI?

Importante salientar que NÃO SOU CONTRA OS DIREITOS INDÍGENAS, mas sim contra protestos que coíbem os direitos dos demais (neste caso o de ir e vir). Além do que me referi a bloqueios de toda origem, inclusive dos Sem-terra. Ambos resolvem problemas desse tipo em negociações e procedimentos judiciais.

Me referi a TODOS OS PROTESTOS que prejudicam as pessoas que estão usando a estrada. Isso revolta a população e a polícia não pode fazer nada. É de INDIGNAR O CIDADÃO.

Quanto ao termo “descer o cacete”, me referi à necessidade do uso progressivo da força em caso de delitos, sejam eles quais forem. O Estado precisa usar da força necessária para conter o crime. O ideal é conseguir resolver sem uso da força, porém muitas vezes isso não acontece.

A minha fala foi uma forma de mostrar minha indignação que É A DE TODOS QUE JÁ FICARAM PRESOS NUM BLOQUEIO, não de indígenas, mas de sem-terra ou qualquer bloqueio.

Meu direito acaba quando começa o do outro, simples assim.

De dedo em riste, índio exige de vereador André Salineiro (PSDB), pedido de desculpa por declaração incitando a violência (Foto: Fabiano Arruda/)