Publicado em 08/04/2018 18h23
PF deve realizar nesta segunda-feira reitegração de área em Caarapó
Indígenas temem novo ‘massacre’, relembrando a morte do indígena Clodiodi de Souza, em 2016.
Da redação
A Polícia Federal deverá cumprir nesta segunda-feira (9) ordem de reintegração de posse de terras atualmente ocupadas por indígenas Guarani-Kaowá em Caarapó.
Na localidade, há dois acampamentos com mais de 5 mil indígenas, que buscam na retomada a demarcações das terras. Comunidades indígenas afirmam que a área foi desapropriada pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e já foi reconhecida como terra indígena.
A ordem de reintegração foi confirmada pela Fundação Nacional dos Índio (Funai), que afirmou que a ação está prevista para as 6h da segunda-feira.
O delegado da Polícia Federal, Luiz Carlos Porto, que atua há oito anos no setor de repressão a crimes contra indígenas, confirmou na última sexta-feira (6), que espera conseguir, pacificamente, a reintegração das áreas, localizadas próximo às comunidade Tey Kue.
Porto garantiu que inicialmente estão sendo realizadas tratativas na busca pela saída voluntária, mas mesmo em caso de resistência, a ordem judicial será cumprida.
“O índio tem uma característica diferente, só quem trabalha com eles conseguem entender. Eles têm um orgulho pela luta da terra, que é muito louvável. O recuo numa situação de saída das áreas que eles entendam que sejam deles, pra eles é muito difícil, porque eles têm que mostrar uma austeridade pela luta da terra, mas eu sempre coloco que em batalhas a gente sempre dá um passo pra trás para dar passos para frente” afirmou.
A localidade já foi marcada por morte durante “guerra pela terra”. Em 2016, o indígena Clodiodi Aquiles de Souza, de 23 anos, morreu após confronto com fazendeiros e peões armados. Outros seis ocupantes ficaram feridos. Após a morte de Clodiodi, a área foi rebatizada em homenagem à vítima e passou a se chamar Kunumi Vera, que significa guerreiro iluminado.
As comunidades foram informadas da reintegração no último sábado (7), e apesar do temor da violência, destacam que vão resistir: os indígenas aguardam que o Supremo Tribunal Federal (STF) acate os recursos impetrados pela Funai que pedem a suspensão da reintegração. A análise está a cargo da ministra Cármen Lúcia.






















