Defesa deve entrar ainda hoje com habeas corpus de Puccinelli e outros dois

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Publicado em 22/07/2018 19h23

Defesa deve entrar ainda hoje com habeas corpus de Puccinelli e outros dois

André, o filho e um advogado estão presos desde sexta-feira

Correio do Estado

A defesa do ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccineli (MDB), do filho dele, André Puccinelli Júnior, e do advogado João Paulo Calves, deve entrar ainda neste domingo (22) com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal (TRF-3). Mandados de prisão preventiva foram cumpridos na sexta-feira (20), após representação do Ministério Público Federal, por suspeita de que esquemas de lavagem de dinheiro continuam em operação, mesmo após prisões de outros envolvidos na operação Lama Asfáltica.

O trio passou o fim de semana no Complexo Penitenciário, localizado no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Segundo o advogado de defesa de Calves, André Borges, seu cliente está no presídio Militar de Trânsito e os demais estão no Centro de Triagem.

Na tarde de hoje, Borges foi até os locais visitar os clientes e disse ao Correio do Estado que ele e advogado de André e do filho, Renê Siufi, irão pedir a liberdade com os recursos de revogação da prisão, com o juiz federal em Campo Grande, e com habeas corpus em São Paulo, no TRF-3.

“Distribuímos hoje no sistema eletrônico do TRF um habeas corpus, mas só vai ser procedida a distribuição amanhã cedo. A decisão vamos fazer para que saia amanhã. Resumidamente, estamos confiantes com um resultado justo do judiciário”, destacou.

A reportagem tentou contato com Renê Siufi, mas o advogado não retornou as ligações e não respondeu as mensagens encaminhadas.

ANÁLISE DOCUMENTOS

André Borges disse ao Correio do Estado que a defesa analisou as 131 páginas do documento que determinou a prisão e que, segundo ele se resumem a três fatos.

“Um deles é uma operação realizada em uma quitinete, que é uma prova obtida de maneira totalmente ilegal, porque não tinha mandando nem autorização do locatário [André Puccinelli Júnior]”, disse Borges.

Ainda segundo o advogados, os outros dois fatos seriam o pagamento de uma perícia, feito pelo Instituto Ícono, também de propriedade de Puccinelli Júnior, ao Instituto de Perícias, que o MPE alega que seria para outro investigado na operação. No entanto, Borges afirma que o pagamento foi uma prestação de serviço ao Instituto. “Nós temos contrato para provar isso”, afirmou.

O terceiro fato que levou ao pedido de prisão é a contratação de uma advogada, feita por Calves que, na representação, MP afirma que foi utilizado dinheiro do instituto de forma ilegal. A defesa alega que, como ele é o único sócio do Instituto Ícone, tinha autorização para realizar a contratação.

“Estamos entrando com esse pedido ainda hoje no Tribunal Regional Federal, pois as prisões são ilegais”, finalizou o advogado.

Também compareceu ao Centro de Triagem para visitar os detidos o presidente do MDB jovem,Wellison Mucchiutti.

“Viemos nos solidarizar pelo André, como já fizemos em vídeo e emitimos nota sobre os motivos da nossa indignação contra essa decisão. Uia decisão dessas às vésperas da convenção do partido, o que para nós é muito estranho”, disse ao Correio do Estado.

PRISÕES

As novas prisões foram motivadas pela suspeita de continuidade de esquema de lavagem de dinheiro. De acordo com a decisão, mesmo após a deflagração da operação Lama Asfáltica e prisão de diversos envolvidos, o esquema criminoso segue operante e a lavagem de dinheiro “se aperfeiçoou no benefício de seus integrantes”.

Está já é a terceira vez que o ex-governador entra na mira da PF, no âmbito da Operação Lama Asfáltica. Em 2016, foi alvo de busca e apreensão e, em novembro do ano passado, ele e o filho foram presos na Operação Papiros de Lama, desdobramento da Lama Asfáltica, responsável por investigar organização criminosa envolvida com desvio de recursos públicos.

Advogado foi visitar os clientes no Complexo Penitenciário - Bruno Henrique