Mulher de MS descobre ter no útero feto calcificado há mais de 50 anos

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Uma senhora idosa, de 86 anos, em Ponta Porã, na região Sul-fronteira de Mato Grosso do Sul, descobriu algo inédito e até assustador, de certa forma, que carregava um então feto há cerca de meio século, 50 anos. A família a princípio não quis revelar identidade da mulher, mas que talvez daqui a algum meses possa ser revelada ao mundo, com a publicação do caso raros na medicina, em estudo que deve acontecer em MS.

A Ponta-poranense acabou indo a óbito, sendo que foi inicialmente internada no Hospital Regional de Ponta Porã devido a uma massa abdominal e descobriu que ‘guardava’ um feto calcificado. Ela chegou a unidade de saúde suspeitando até de um câncer, quando ocorreu a descoberta.

De acordo com as informações iniciais, o último parto dela ocorreu há 56 anos. Durante os exames realizados na idosa, na semana passada, para surpresa de todos os profissionais médicos envolvidos, foi descoberto um feto papiráceo durante a investigação. O ‘papiráceo’ é quando ocorre espécie de calcificação do bebê morto

Assim, deve ser oficializado que a idosa há cinco décadas, “guardava” no útero um feto mumificado. Ela precisou ser submetida a uma cirurgia para a retirada da “massa abdominal”, foi levada para uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e morreu dias depois.

Caso raro ou não ?

Situações como essa podem acontecer em gestações de um ou mais fetos. Quando um deles morre, o organismo pode rapidamente absorver os fluídos fetais, fazendo com que haja o “sumiço” parcial ou total daquela formação.

A chama SGD (Síndrome do Gêmeo Desaparecido), apesar de não ‘se muito relato, pode ser ‘mais comum’ do que se pensa. Para o Whitecast, podcast especializado em conteúdo médico, o ginecologista e obstetra formado pela Universidade Estadual de Londrina, João Marcelo Coluna, explicou que cerca de 50% das gestações gemelares chegam ao fim com apenas um dos bebês. Quando não há o desaparecimento por completo, pode haver formação do feto papiráceo.

Contudo, em tese, o caso como da idosa de MS, pode ser considerado extremamente raro na medicina. Assim, um dos responsáveis pelo caso planeja elaborar um artigo científico detalhando essa descoberta única. Ele já recebeu autorização da família da paciente.

“A presença desse feto calcificado por tantos anos no organismo da mulher é um fenômeno incomum que certamente contribuirá para o avanço do conhecimento médico. A investigação desse caso poderá fornecer objetivos valiosos sobre a fisiopatologia e as possíveis complicações associadas a situações semelhantes”, avalia o médico.

Com autorização

O secretário de Saúde da cidade, Patrick Derzi, confirmou o caso raro registrado na unidade hospitalar. “Conversei com o médico ontem [18 de março]. A senhora deu entrada no hospital por outro motivo, alguma infecção e dores abdominais. Antes disso, nunca teve queixa”, disse Derzi, que também é médico.

Contudo, ele não soube dar detalhes como quando foi a cirurgia, quanto tempo levou e o que fez a paciente ir a óbito.

O secretário, que também é médico, explicou que o responsável pela paciente teve autorização da família dela para publicar artigo científico sobre o feto papiráceo.

Assim, já foi oficializado, que o médico que atendeu o caso está preparando um artigo científico e deverá estar publicando em revistas científicas do Brasil e pelo mundo.

A família autorizou a divulgação para estudos do caso. 

Mulher de MS descobre ter no útero feto calcificado há mais de 50 anos
Feto mumificado no abdômen de paciente do Hospital Regional de Ponta Porã (MS) (Foto: Tomografia/Reprodução)