Lula abre Assembleia da ONU e deve defender multilateralismo, Palestina e clima

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(Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre, nesta terça-feira (23), os discursos de chefes de Estado da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A fala inaugural ocorre em meio a um clima de tensão diplomática com os Estados Unidos, após o governo de Donald Trump impor novas sanções contra autoridades brasileiras na véspera.

Na segunda-feira (22), Washington aplicou a Lei Magnitsky contra Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e suspendeu o visto do advogado-geral da União, Jorge Messias.

A tradição de o Brasil abrir os trabalhos da ONU remonta a 1955. Logo após Lula, será a vez de Trump discursar. Embora não haja previsão de reunião bilateral, os dois presidentes podem se encontrar informalmente nos corredores da sede das Nações Unidas.

Relação conturbada com os EUA

Desde julho, Brasil e EUA vivem uma escalada de atritos. Naquele mês, Trump anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula vem reclamando da falta de canais de negociação com autoridades americanas, mas afirma estar pronto para o diálogo.

“Toda vez que tentamos falar sobre comércio, dizem que não é com eles, que é questão política. Portanto, quando o presidente Trump quiser falar de política, eu também falarei”, disse Lula em entrevista ao jornal PBS NewsHour.

O presidente ainda reforçou que o Brasil não aceitará “qualquer interferência estrangeira na democracia e na soberania nacional”.

O que esperar do discurso

Na abertura da Assembleia, Lula deve destacar o multilateralismo, cobrar maior empenho da comunidade internacional no combate às mudanças climáticas — especialmente às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA) — e defender a criação do Estado da Palestina.

Na segunda-feira (22), em conferência da ONU, Lula afirmou que “Israel e Palestina têm o direito de existir” e que reconhecer o Estado palestino é condição essencial para o diálogo. O Brasil já oficializou esse reconhecimento em 2010 e tenta ampliar o apoio internacional à causa.

O governo também vê a Assembleia como oportunidade para reforçar o protagonismo brasileiro no debate climático. Lula participará de evento co-presidido com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para pressionar países a apresentarem novas metas de redução de emissões (NDCs) até a COP30.

Agenda paralela

Ainda em Nova York, Lula buscará ampliar o apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa que pretende financiar a preservação de biomas e será lançada em novembro, durante a conferência climática.

Na quarta-feira (24), o presidente estará na 2ª edição do evento Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo, ao lado de líderes de cerca de 30 países, entre eles o chileno Gabriel Boric e o espanhol Pedro Sánchez.

Segundo o Itamaraty, o encontro busca articular compromissos contra a deterioração das instituições, a desinformação, o discurso de ódio e a desigualdade social. No mesmo dia, Lula participa também de encontro organizado pelo Centro Global de Adaptação, liderado pelo ex-presidente de Senegal, Macky Sall, para discutir estratégias de adaptação à crise climática.