Lula encerra agenda na ONU com foco em democracia, clima e encontro com Trump

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Lula discursou na abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre nesta quarta-feira (24) sua última agenda na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA). Ao lado do presidente do Chile, Gabriel Boric, e do presidente da Espanha, Pedro Sánchez, Lula participa da segunda edição do evento “Em Defesa da Democracia”, iniciativa que reúne líderes globais para reforçar o multilateralismo, combater o extremismo e enfrentar os riscos da desinformação e dos discursos de ódio.

Ainda hoje, o brasileiro participa de um painel sobre crise climática, copresidido pelo Brasil e pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. O encontro deve apresentar novas contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) no âmbito do Acordo de Paris, além de servir como preparativo para a COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA).

Discurso em defesa da soberania

Na terça-feira (23), Lula abriu os pronunciamentos dos chefes de Estado na Assembleia Geral. Em seu discurso, criticou “sanções arbitrárias e intervenções unilaterais” e afirmou que ataques à soberania e à democracia fortalecem o autoritarismo.

“Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender a sua democracia reconquistada há 40 anos”, declarou.

Sem citar nomes, Lula enviou recados diretos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar que “a agressão contra a independência do poder judiciário é inaceitável” e que “não há pacificação com impunidade”.

Aproximação com Trump

Após os discursos, Lula e Trump tiveram um breve encontro nos bastidores. O republicano elogiou o brasileiro e disse ter sentido uma “química excelente” entre os dois. Também confirmou que ambos devem se reunir novamente na próxima semana.

“Ele me parece um homem muito agradável. Ele gostou de mim, eu gostei dele. Tivemos, ao menos por 39 segundos, uma excelente química. É um bom sinal”, disse Trump em tom descontraído.

O ex-presidente norte-americano ainda usou sua fala na ONU para defender tarifas comerciais impostas pelos EUA como forma de proteger a “soberania e a segurança” do país.

Próximos passos

A participação de Lula em Nova York também integra a Semana do Clima 2025, que reúne mais de 500 eventos e lideranças de governos e da sociedade civil. O brasileiro aproveitou a ocasião para reforçar o compromisso com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que será lançado oficialmente na COP30.