Levantamento também aponta piora na avaliação do governo e aumento do pessimismo econômico
Pela primeira vez desde o início da série histórica da Quaest, a corrida presidencial simulada coloca dois adversários tradicionais da política brasileira lado a lado sem vantagem numérica. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11) aponta empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, cenário que, segundo analistas, reforça a manutenção da polarização política a seis meses das eleições.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Empate no segundo turno
No principal cenário testado, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 41% das intenções de voto cada. É a primeira vez que a pesquisa registra igualdade numérica entre os dois.
O resultado mostra uma redução gradual da vantagem do presidente ao longo dos últimos meses. Em dezembro, Lula liderava por dez pontos; em janeiro, a diferença caiu para sete; em fevereiro, para cinco; até chegar ao empate atual.
Os números são:
- Lula: 41% (43% em fevereiro e 45% em janeiro)
- Flávio Bolsonaro: 41% (38% em fevereiro e janeiro)
- Indecisos: 2%
- Branco, nulo ou não votariam: 16%
Nos demais cenários simulados, Lula ainda aparece numericamente à frente de outros possíveis adversários.
Disputa pelo eleitor independente
Outro dado considerado relevante pela Quaest é o desempenho entre eleitores independentes — grupo que representa cerca de 32% do eleitorado.
Nesse segmento, Flávio Bolsonaro aparece pela primeira vez numericamente à frente, com 32% das intenções de voto no segundo turno, contra 27% de Lula. Outros 36% afirmaram que não pretendem votar e 5% estão indecisos.
Entre os eleitores mais fiéis, ambos mantêm forte consolidação: Lula registra até 95% entre lulistas, enquanto Flávio alcança 96% entre bolsonaristas.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, o cenário indica uma “calcificação” da disputa política no país. “O empate entre os dois principais competidores a seis meses da eleição reforça a tese de polarização consolidada”, afirmou.
Cenários de primeiro turno
A pesquisa também testou oito pré-candidatos à Presidência. Nos cenários de primeiro turno, Lula lidera em alguns quadros e empata tecnicamente com Flávio em outros.
As intenções variam entre:
- Lula: de 36% a 39%
- Flávio Bolsonaro: de 30% a 35%
- Ratinho Júnior: 7%
- Ronaldo Caiado: 4%
- Romeu Zema e Eduardo Leite: 3% cada
- Renan Santos e Aldo Rebelo: 2%
Desde dezembro, Flávio apresentou crescimento contínuo após ser anunciado como pré-candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Avaliação do governo piora
O levantamento também aponta piora na avaliação do governo federal.
- Desaprovam o governo: 51%
- Aprovam: 44%
- Não sabem ou não responderam: 5%
É o pior índice de aprovação desde julho de 2025, segundo a consultoria. A diferença entre desaprovação e aprovação aumentou gradualmente desde o fim do ano passado.
Entre os fatores apontados estão noticiário mais negativo, percepção econômica desfavorável e impacto limitado das mudanças na tabela do Imposto de Renda.
Percepção econômica mais negativa
A pesquisa mostra aumento do pessimismo em relação à economia:
- 48% dizem que a economia piorou nos últimos 12 meses
- 24% afirmam que melhorou
- 26% avaliam que permaneceu igual
Também caiu o percentual dos que acreditam em melhora futura da economia, enquanto cresceu o número dos que esperam piora.
Corrupção volta a preocupar
Entre os principais problemas do país, a violência segue em primeiro lugar, mas a corrupção subiu para a segunda posição nas preocupações dos brasileiros, ultrapassando questões sociais.
Ranking das preocupações:
- Violência — 27%
- Corrupção — 20%
- Problemas sociais — 18%
- Saúde — 13%
- Economia — 10%
- Educação — 6%
Medo político divide eleitores
A pesquisa também mediu rejeição política. Pela primeira vez, o temor de continuidade do atual governo supera numericamente o receio de retorno da família Bolsonaro ao poder.
- Medo de novo governo Lula: 43%
- Medo da volta da família Bolsonaro: 42%
- Medo dos dois: 7%
- Não têm medo: 3%
Segundo a Quaest, Lula registra atualmente seu menor potencial de voto na série histórica e a maior taxa de rejeição entre os possíveis candidatos, enquanto Flávio apresenta índices semelhantes.




















