Lula é visto como mais experiente; Flávio Bolsonaro lidera em inovação

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Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (Foto: SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação)

Pesquisa mostra empate entre os dois em eventual segundo turno da disputa presidencial

Experiência de um lado, imagem de renovação do outro. Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (19) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é visto pelos eleitores como o pré-candidato mais experiente para disputar o Palácio do Planalto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro aparece associado à ideia de modernidade e inovação.

O levantamento analisou a percepção dos eleitores sobre possíveis nomes da corrida presidencial e apresentou 15 perguntas relacionadas à imagem pública dos pré-candidatos. A maior parte das entrevistas foi realizada antes da divulgação de um áudio publicado pelo Intercept Brasil, em que Flávio Bolsonaro pede recursos ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação sobre experiência, Lula lidera com 55% das citações, contra 18% de Flávio Bolsonaro. Entre os chamados eleitores não alinhados — aqueles que se posicionam no centro de uma escala ideológica usada pelo instituto — o petista alcança 52%, enquanto o senador registra 8%.

Já no quesito modernidade e inovação, o cenário se inverte. Flávio aparece com 31%, à frente de Lula, que soma 26%. Entre os eleitores não alinhados, o senador amplia a vantagem: 22% a 11%.

A pesquisa também mediu percepções negativas. Quando o tema é moralidade pública, 46% afirmam ver Lula como o “mais corrupto”, enquanto 30% apontam Flávio Bolsonaro. Em outra pergunta, 53% disseram considerar o senador como o candidato que mais defende os ricos, contra 18% que associam essa característica ao presidente.

Os dois aparecem tecnicamente próximos em temas ligados à comunicação e segurança pública. Para 32%, Lula fala melhor a linguagem da juventude brasileira, enquanto Flávio tem 29%. Na área de combate à violência, o senador é citado por 33% dos entrevistados, e o presidente, por 29%.

O discurso ligado à segurança pública é uma das principais bandeiras do bolsonarismo. Jair Bolsonaro construiu parte da trajetória política com defesa de medidas mais rígidas na área, discurso que também foi adotado por Flávio durante o período em que atuou como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Na semana passada, Lula lançou o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, com previsão de investimento de R$ 11 bilhões. Em meio ao aumento dos casos de feminicídio no país, o presidente aparece como o pré-candidato que mais defende as mulheres, com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 19%.

Outro ponto em que Lula lidera é na identificação popular. Para 52% dos entrevistados, o presidente é quem “mais representa o rosto da população brasileira”. Flávio Bolsonaro tem 23%.

Já na percepção sobre autoritarismo, 40% consideram o senador mais autoritário, enquanto 26% atribuem essa característica a Lula.

Além dos dois principais nomes, outros políticos apareceram em algumas categorias específicas. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ficou em terceiro lugar na pergunta sobre enfrentamento da violência, com 5%. Renan Santos marcou 4% na comunicação com os jovens. Samara Martins teve 8% na defesa das mulheres. Já Cabo Daciolo foi lembrado na categoria “ter Deus no coração”, enquanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, apareceu em terceiro lugar como nome mais moderno e inovador.

No cenário eleitoral estimulado para um eventual segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados com 45% das intenções de voto cada. Outros 9% afirmaram votar em branco ou nulo, e 1% não soube responder.

Na simulação de primeiro turno, Lula lidera com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%. Romeu Zema e Ronaldo Caiado têm 3% cada. Renan Santos soma 2%, e Cabo Daciolo, 1%. Brancos e nulos representam 9%, enquanto 3% não souberam responder.

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 12 e 13 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Entre os eleitores não alinhados, a margem sobe para quatro pontos percentuais.