A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta terça-feira a Operação Éris, ação estratégica que mira uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação confirmada em Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A iniciativa cumpre, de forma simultânea, 14 mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão, com o objetivo de desmantelar um núcleo estruturado e hierarquizado formado exclusivamente por mulheres, identificado durante investigações anteriores.
A ação é coordenada pela Seção de Investigações Gerais (SIG) e pelo Núcleo Regional de Inteligência (NRI) de Nova Andradina, com suporte de equipes do Departamento de Polícia da Capital (DPC), Departamento de Polícia do Interior (DPI) e Departamento de Polícia Especializada (DPE), além de forças de segurança dos demais estados envolvidos.
Até o momento, cinco alvos já estão detidos — um em Campo Grande e outro na Penitenciária Estadual de Dourados — e um dos investigados, de Santa Catarina, é apontado por abrigar um integrante condenado da facção, que acumula 36 anos de pena. Ao todo, a operação acompanha cerca de 60 suspeitos.
Origem das investigações
Os trabalhos tiveram início em 2024, a partir de dados e materiais coletados durante a Operação Artus, realizada em dezembro de 2023. Na ocasião, 34 integrantes do PCC, grupo originário de São Paulo, foram presos preventivamente, e ações foram feitas em oito municípios de MS e também no Paraná. Naquela oportunidade, as investigações já haviam levantado indícios de cooptação de adolescentes para atividades criminosas; durante a execução das medidas, um dos alvos, de 22 anos, foi morto em confronto com a polícia.
Ao analisar todo o conteúdo apreendido na Artus, os investigadores perceberam uma estrutura paralela e organizada dentro da facção: um grupo formado por mulheres, distribuídas por diferentes estados, com funções definidas, hierarquia própria e atuação ligada diretamente aos vínculos afetivos e relacionamentos que mantinham com integrantes detidos da organização. A partir daí, foi iniciado um monitoramento detalhado para mapear toda a rede, coletar provas e consolidar os pedidos judiciais, que foram autorizados pela Justiça após parecer favorável do Ministério Público.
Alcance e significado do nome
Em Mato Grosso do Sul, as ordens judiciais são cumpridas nos municípios de Nova Andradina, Ivinhema, Angélica, Campo Grande, Rochedo, Maracaju, Amambai, Corumbá, Rio Negro, Rio Verde de Mato Grosso, Aquidauana, Selvíria, Água Clara e Três Lagoas. Ações paralelas ocorrem em cidades dos outros três estados onde o grupo atuava.
O nome da operação faz referência a Éris, figura da mitologia grega conhecida como a deusa da discórdia. Segundo a Polícia Civil, a escolha é simbólica: representa o esforço do Estado para romper as conexões, alianças e estruturas que davam sustentação às atividades criminosas desse núcleo feminino, desarticulando seu papel dentro da dinâmica da facção.
Com apoio de recursos como sobrevoos de aeronaves em pontos de apoio investigados, a Operação Éris segue em andamento nesta manhã. O balanço completo das medidas cumpridas, apreensões realizadas e resultados obtidos será divulgado oficialmente pela instituição assim que todas as equipes concluírem seus trabalhos.











