Queima controlada ultrapassa mil hectares e reforça prevenção a incêndios no Pantanal

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(Foto: Capitão Alexandre Araújo/CBMMS)

Ação conjunta entre Imasul e Bombeiros busca reduzir material combustível antes do período crítico de estiagem

O fogo foi usado como ferramenta de prevenção no Pantanal sul-mato-grossense. Em uma ação planejada para reduzir o risco de grandes incêndios durante o período de estiagem, equipes do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e do Corpo de Bombeiros Militar concluíram o manejo de mais de mil hectares no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro.

As intervenções fazem parte da estratégia de Manejo Integrado do Fogo (MIF), que busca diminuir a quantidade de material combustível acumulado na vegetação e criar barreiras naturais para conter a propagação de incêndios florestais. O trabalho foi realizado em duas etapas de queima prescrita, incluindo uma operação que aproveitou um incêndio já existente na região para ampliar, de forma controlada, a área planejada para manejo.

Com mais de 76 mil hectares, o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro vem recebendo ações preventivas desde 2025. No ano passado, aproximadamente mil hectares já haviam passado por manejo, com foco na redução da biomassa e na formação de áreas estratégicas de contenção.

A primeira ação deste ano ocorreu após o registro de um incêndio dentro da unidade de conservação. O avanço das chamas foi monitorado pelas equipes do Corpo de Bombeiros, que utilizaram o fogo de maneira controlada para eliminar o excesso de vegetação seca acumulada. A operação contou com apoio da torre de observação instalada no parque e do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), responsável pelo monitoramento aéreo.

Segundo o gerente de Unidade de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes, o trabalho seguiu critérios técnicos e ambientais para garantir a segurança da operação.

“O monitoramento permitiu que o fogo tivesse uma propagação controlada, sempre observando as condições climáticas e a disponibilidade de material combustível. As equipes atuaram para impedir que as chamas ultrapassassem os limites do parque, contando também com áreas alagadas que funcionaram como barreiras naturais”, explicou.

Entre os dias 11 e 15 de maio, uma nova etapa do manejo foi realizada em uma área de aproximadamente 600 hectares da Fazenda Santa Maria, localizada na região leste do parque. A propriedade fica em uma área considerada estratégica para a prevenção de incêndios durante a estação seca e recebeu autorização específica do Imasul para a execução da queima prescrita.

De acordo com o capitão Samuel Pedrozo Borges, da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, a iniciativa ajudou a ampliar a proteção da unidade de conservação.

“Planejamos uma nova queima para criar um cinturão preventivo dentro do parque. A retirada do excesso de biomassa reduz significativamente o risco de incêndios de grandes proporções”, afirmou.

As condições climáticas também favoreceram os trabalhos. A chegada de uma frente fria ao Estado no início de maio elevou a umidade do ar e reduziu as temperaturas, criando uma janela meteorológica adequada para a realização das queimas controladas.

A operação reuniu cerca de dez bombeiros militares, sete servidores do Imasul, dois pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e quatro colaboradores de propriedades vizinhas. As atividades se estenderam por cinco dias, incluindo preparação das áreas, aplicação do fogo controlado, rescaldo e monitoramento.

Segundo os técnicos envolvidos, a queima prescrita ocorre com baixa intensidade e provoca impactos reduzidos ao meio ambiente. Diferentemente dos incêndios severos, o manejo permite que os animais silvestres deixem a área atingida e evita danos mais graves à vegetação.

A preocupação com a prevenção ganha ainda mais importância diante das previsões climáticas para este ano. A possibilidade de influência do fenômeno El Niño pode favorecer períodos mais secos e temperaturas elevadas, aumentando o risco de incêndios florestais no Pantanal.

Para o diretor-presidente do Imasul, André Borges, o manejo integrado do fogo tem se consolidado como uma das principais ferramentas para proteger o bioma.

“O Pantanal convive naturalmente com o fogo, mas é fundamental utilizar técnicas adequadas para reduzir riscos e proteger áreas sensíveis. O manejo integrado permite ações planejadas e seguras, contribuindo para a preservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e das comunidades locais”, destacou.

Conforme o Plano de Manejo Integrado do Fogo do parque, as áreas submetidas à queima controlada não podem receber nova intervenção em anos consecutivos. O intervalo mínimo recomendado é de dois anos, garantindo a recuperação natural da vegetação e a manutenção do equilíbrio ambiental.