A Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Vigilância Sanitária (CVISA), realiza nesta quinta-feira (19), em Dourados, a incineração de cerca de uma tonelada de produtos irregulares, apreendidos desde fevereiro em todo o Estado.
São mais de 20 mil itens — entre remédios para emagrecimento, anabolizantes e substâncias estéticas — avaliados em R$ 15 milhões, todos sem registro na Anvisa ou procedência comprovada.
O que será destruído
A lista inclui:
- Análogos de medicamentos da classe GLP-1 (para emagrecimento);
- Canetas, peptídeos e compostos injetáveis para fins estéticos;
- Esteroides anabolizantes de origem estrangeira.
Nenhum desses produtos tem autorização para comercialização no Brasil, e muitos vieram de fora, entrando pela região de fronteira. O transporte até a empresa especializada na destruição conta com escolta da Polícia Rodoviária Federal.
Operação Visa Protege
A destruição é o desfecho de quatro meses de trabalho intenso da Operação Visa Protege, que fiscaliza diariamente centros de triagem dos Correios e transportadoras. Para o gerente da CVISA, Matheus Pirolo, o volume apreendido é inédito no país:
“Em apenas quatro meses, números sem precedentes. Passamos a atuar onde o mercado ilegal mais cresce: nos centros logísticos, por onde passam produtos vendidos em redes sociais e aplicativos, sem qualquer segurança”.
Dourados foi escolhida para a ação final porque é uma das principais portas de entrada desses materiais vindos do Paraguai e de outros países vizinhos.
Riscos graves à saúde
As autoridades alertam que o uso desses produtos é perigoso:
- Muitos são usados por automedicação, sem receita ou orientação médica;
- A composição real e a dosagem são desconhecidas;
- Podem causar danos ao fígado, rins, pâncreas, alterações hormonais, intoxicações e até morte.
“As pessoas veem o efeito rápido, como o emagrecimento, mas não sabem o estrago que isso pode causar daqui a alguns anos. Não somos contra o remédio, mas contra o uso sem controle, sem prescrição e fora de farmácias regulamentadas”, explicou Pirolo.
Alerta também do setor farmacêutico
Para Serafim Branco Neto, da Associação Brasileira de Redes de Farmácias (Abrafarma), o problema está nas vendas online sem fiscalização:
“Em marketplaces não regulamentados, não há como saber onde o produto foi feito, como foi transportado ou se é verdadeiro. Falta rastreabilidade, e o risco é todo do consumidor”.
A incineração será feita em empresa licenciada, seguindo normas ambientais e sanitárias, e garante que nenhum desses produtos volte a circular. A operação continua, com fiscalização permanente, para impedir que novos lotes cheguem à população.





















