Quase um em cada três brasileiros convive com algum tipo de alergia, alerta associação

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Estimativa da OMS aponta crescimento dos casos; especialistas defendem diagnóstico e tratamento precoces (Foto: Mojpe/Pixabay)

Especialistas orientam que sintomas como espirros frequentes, tosse e falta de ar não devem ser ignorados

Quase um em cada três brasileiros convive com algum tipo de alergia, segundo especialistas. A estimativa acompanha a tendência mundial e acende um alerta para doenças que podem comprometer a qualidade de vida e, em casos mais graves, levar a complicações respiratórias e cardiovasculares. A preocupação ganha destaque durante a Semana Mundial da Alergia, realizada entre os dias 21 e 27 de junho.

De acordo com a Organização Mundial de Alergia (WAO), cerca de 30% da população mundial apresenta algum tipo de doença alérgica. No Brasil, o cenário é semelhante, conforme a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

A presidente da entidade, Fátima Rodrigues Fernandes, explica que as alergias surgem quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a determinadas substâncias, provocando processos inflamatórios em diferentes partes do organismo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2050, metade da população mundial poderá desenvolver algum tipo de alergia. Entre os fatores apontados está o impacto das mudanças climáticas, que favorecem uma maior exposição a agentes capazes de desencadear reações alérgicas.

Rinite lidera os casos

A rinite alérgica é uma das doenças mais comuns no país e atinge aproximadamente 30% da população brasileira.

Entre as crianças, a prevalência chega a 26%, enquanto entre adolescentes alcança cerca de 30%, segundo dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISAAC).

Os principais sintomas incluem espirros frequentes, coceira no nariz e nos olhos, coriza e congestão nasal persistente, mesmo sem infecção respiratória.

Segundo a Asbai, muitas pessoas acabam se acostumando com esses sintomas e deixam de procurar atendimento médico, embora o tratamento possa melhorar significativamente a qualidade de vida.

Asma e dermatite também preocupam

Outra condição frequente é a asma alérgica, que afeta cerca de 20% da população brasileira.

No mundo, a doença atinge aproximadamente 260 milhões de pessoas e provoca mais de 450 mil mortes por ano. Entre os sintomas estão falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, sensação de aperto no tórax e cansaço durante atividades simples.

A dermatite atópica também está entre as doenças alérgicas mais comuns. A enfermidade é crônica, não contagiosa e acomete principalmente crianças.

Segundo a associação, cerca de 20% das crianças apresentam dermatite atópica e, em aproximadamente 5% dos casos, a doença se manifesta de forma mais grave. Entre os adultos, a estimativa é de que 3% convivam com o problema.

Além das lesões na pele, a coceira intensa pode afetar o sono, provocar ansiedade e até contribuir para quadros de depressão.

Campanha incentiva diagnóstico precoce

Neste ano, a Semana Mundial da Alergia tem como tema “Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial”. A campanha busca conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do acompanhamento médico.

Especialistas orientam que sintomas recorrentes, como tosse persistente, espirros frequentes, falta de ar e coceiras na pele, não devem ser considerados normais.

Segundo a Asbai, embora a maioria das alergias tenha origem genética e não tenha cura, é possível controlar os sintomas e proporcionar uma vida sem limitações quando o tratamento é seguido corretamente.

Testes ajudam a identificar a causa

O diagnóstico pode ser feito por meio de testes alérgicos realizados na pele ou por exames de sangue, capazes de identificar os agentes responsáveis pelas reações.

Com a identificação do alérgeno, o tratamento torna-se mais eficiente e ajuda a prevenir novas crises.

Além do uso de medicamentos quando necessário, os especialistas recomendam reduzir a exposição à poeira, mofo e ácaros dentro de casa, principalmente entre pessoas com alergias respiratórias.

A Asbai também reforça que o cuidado deve envolver toda a família, já que as doenças alérgicas costumam ter caráter hereditário e o controle do ambiente doméstico beneficia todos os moradores.