Da carceragem da PF à Papudinha: relembre a cronologia do caso Daniel Vorcaro

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Daniel Vorcaro foi transferido para a Papudinha (Foto: Reprodução/SAP)

Empresário é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema bilionário de corrupção e lavagem de dinheiro

A permanência do empresário Daniel Vorcaro na carceragem da Polícia Federal, em Brasília, chegou ao fim. Após mais de três meses detido no local, o ex-controlador do Banco Master foi transferido na quinta-feira (25) para o Complexo Penitenciário da Papuda, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão foi tomada depois que a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram, pela segunda vez, a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa do empresário. Segundo os órgãos responsáveis pela investigação, os depoimentos prestados por Vorcaro não trouxeram fatos inéditos nem provas capazes de justificar os benefícios previstos em um acordo de delação.

Com a negativa, André Mendonça também recusou o pedido para que a prisão preventiva fosse convertida em prisão domiciliar e determinou a transferência imediata do investigado para a unidade prisional conhecida como “Papudinha”, onde ele permanecerá enquanto o processo prossegue.

Daniel Vorcaro é investigado na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e manipulação de ativos ligados ao Banco Master e empresas associadas ao grupo.

Investigação

As investigações apontam ainda o envolvimento de outras pessoas citadas no inquérito. Entre elas estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

De acordo com a Polícia Federal, Ciro Nogueira teria recebido repasses mensais de R$ 300 mil, além de viagens de luxo para Paris e os Alpes Franceses custeadas pelo grupo investigado. Já Hugo Motta aparece nas apurações em razão da hospedagem, ao lado do senador, em suítes de alto padrão no hotel Four Seasons, em Lisboa, durante um evento jurídico realizado em 2024.

O inquérito também alcançou familiares do empresário. Em maio deste ano, Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi preso sob suspeita de integrar o núcleo operacional do esquema, sendo apontado como responsável por repasses financeiros e pela coordenação de ações de intimidação física e cibernética.

Histórico das prisões

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai.

Na ocasião, ele permaneceu preso por cerca de uma semana e passou a cumprir medidas cautelares, entre elas prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica.

Em março deste ano, no entanto, voltou a ser preso preventivamente durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. Desde então, permanecia custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, enquanto tentava negociar um acordo de colaboração premiada.

Cronologia do caso

18 de novembro de 2025 – Daniel Vorcaro é preso no Aeroporto de Guarulhos ao tentar viajar para Dubai.

9 de fevereiro de 2026 – A Polícia Federal consegue acessar o primeiro celular apreendido do empresário e identifica movimentações financeiras e contatos com agentes públicos.

4 de março de 2026 – Durante nova fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro é preso preventivamente por determinação do STF. Também são bloqueados ativos ligados ao grupo investigado.

14 de maio de 2026 – Henrique Moura Vorcaro, pai do empresário, é preso por suspeita de integrar o esquema investigado.

20 de maio de 2026 – PF e PGR rejeitam a primeira proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa.

Início de junho de 2026 – A perícia acessa um segundo aparelho celular do empresário, que passa a integrar as investigações.

15 de junho de 2026 – A Procuradoria-Geral da República recusa a segunda proposta de delação, alegando ausência de fatos novos e falta de compromisso com eventual ressarcimento dos prejuízos.

25 de junho de 2026 – O ministro André Mendonça determina a transferência de Daniel Vorcaro para o Complexo da Papuda após negar o pedido de prisão domiciliar.