Mato Grosso do Sul concentra a terceira maior população indígena do Brasil, mas a presença desses povos nos espaços de poder ainda está muito distante de refletir sua expressão demográfica. Dados do Observatório da Cidadania da UFMS mostram que, entre 2014 e 2024, o estado registrou 676 candidaturas indígenas — o que corresponde a 2,7% do total de postulantes, índice mais de seis vezes superior à média nacional de 0,43%.
No mesmo período, o Brasil teve 6.913 candidatos autodeclarados indígenas entre mais de 1,6 milhão de registros em todo o território.
Poucos conseguem chegar ao mandato
Apesar da participação proporcionalmente maior em MS, a conversão de votos em cadeiras segue muito limitada:
- No país, apenas 654 dos 6.913 candidatos indígenas foram eleitos — cerca de 9,5% do total.
- No estado, dos 676 postulantes, somente 41 (6,1%) conquistaram mandato, todos em câmaras de vereadores.
Nenhum chegou a cargos de prefeito, deputado estadual, federal ou senador no período analisado. Os vereadores eleitos atuam em municípios como Amambai, Antônio João, Caarapó, Coronel Sapucaia, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Japorã, Miranda, Nioaque, Paranhos, Porto Murtinho, Sidrolândia e Tacuru — regiões com forte presença de povos como Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Ofaié e Guató.
Dados abertos para mudar o cenário
Para ampliar o conhecimento sobre essa realidade, o Observatório da Cidadania disponibiliza o Painel Povos Originários, plataforma gratuita com indicadores oficiais de população, saúde, educação, território, trabalho e renda. A ferramenta serve a gestores, pesquisadores, organizações e imprensa:
🔗 https://observatoriodacidadania.ufms.br/povos-originarios/
Os pesquisadores destacam que a falta de representação política efetiva dificulta a formulação de políticas públicas que atendam às demandas específicas dessas comunidades.





















