
Ataques tiveram como foco bases, sistemas de defesa e depósitos de armas; Teerã confirma mortos, feridos e promete retaliação
A escalada militar entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8), com uma ampla ofensiva das forças americanas contra instalações estratégicas iranianas. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), cerca de 90 alvos militares foram atingidos em diferentes regiões do país, em uma operação que teve como objetivo reduzir a capacidade do Irã de atacar embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio mundial de petróleo.
De acordo com o governo norte-americano, os bombardeios atingiram sistemas de defesa antiaérea, centros de vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, instalações navais, bases logísticas e outras estruturas consideradas estratégicas para as forças iranianas.
A nova operação ocorre menos de 24 horas após outra ofensiva dos Estados Unidos, quando aproximadamente 80 alvos militares foram bombardeados, incluindo dezenas de embarcações ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica. Segundo a imprensa estatal iraniana, oito integrantes das forças aérea e naval morreram nos ataques realizados na terça-feira (7).
Irã confirma mortos e dezenas de feridos
O Ministério da Saúde do Irã informou nesta quinta-feira (9) que os ataques americanos deixaram ao menos 14 mortos e 78 feridos nos últimos dois dias.
Entre as áreas atingidas estão cidades da costa sul iraniana, como Bandar Abbas, Bushehr, Chabahar, Sirik, Jask, Konarak e a ilha de Abu Musa, próxima ao Estreito de Ormuz. Explosões também foram registradas na província de Golestan, no norte do país.
Em Chabahar, cortes de energia foram registrados após os bombardeios. Segundo a imprensa iraniana, um hospital foi atingido por destroços, enquanto dois píeres e uma torre de controle do tráfego marítimo sofreram danos.
Na cidade de Iranshahr, um bombeiro morreu após um ataque ao aeroporto local, que danificou o edifício de operações de voo e a estação meteorológica.
Já na província de Khuzestan, três pessoas morreram nos arredores de Ahvaz e várias ficaram feridas, segundo autoridades locais.
Washington diz que ação protege navegação
Os Estados Unidos afirmam que a ofensiva é uma resposta aos ataques iranianos contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, região por onde passa aproximadamente 20% das exportações mundiais de petróleo.
Segundo Washington, a destruição da infraestrutura militar iraniana busca reduzir a capacidade do país de ameaçar navios mercantes e reforçar a segurança da navegação internacional.
Trump declara fim do cessar-fogo
Durante compromissos na Turquia, antes da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o presidente Donald Trump afirmou que considera encerrado qualquer entendimento de cessar-fogo com Teerã.
O presidente americano também advertiu que novas ações militares poderão ocorrer caso o Irã mantenha ataques contra interesses dos Estados Unidos e de seus aliados.
Mais tarde, Trump voltou a afirmar que os bombardeios poderão continuar e chegou a mencionar a possibilidade de atingir infraestrutura energética e sistemas de abastecimento de água, caso considere necessário.
Irã reage e ameaça ampliar conflito
Em resposta, o governo iraniano voltou a ameaçar fechar o Estreito de Ormuz caso ocorram novos ataques americanos.
A Guarda Revolucionária Islâmica também assumiu ataques contra bases militares dos Estados Unidos localizadas no Kuwait e no Bahrein e afirmou que poderá ampliar as ofensivas para outras instalações militares americanas na região.
Segundo autoridades iranianas, os ataques tiveram como alvo as bases de Arifjan e Ali al-Salem, no Kuwait, além de Jufayr e Sheikh Isa, no Bahrein.
Durante a noite, sirenes de alerta foram acionadas em países aliados dos Estados Unidos no Golfo, enquanto sistemas de defesa aérea entraram em operação para interceptar mísseis e drones.
Tensão aumenta preocupação internacional
A nova troca de ataques amplia o risco de uma escalada militar no Oriente Médio e aumenta a preocupação da comunidade internacional com possíveis impactos sobre o mercado global de energia.
Especialistas alertam que qualquer interrupção no fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz pode provocar novos aumentos nos preços internacionais do petróleo, além de afetar cadeias globais de abastecimento e transporte marítimo.



















