Maioria reprova decisão de Moraes sobre visitas de Flávio a Bolsonaro, aponta Datafolha

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O ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: Fellipe Sampaio/STF | Ton Molina/STF)

Levantamento indica que 59% consideram que ministro do STF “agiu mal” ao restringir encontros entre pai e filho

A maioria dos brasileiros considera que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), errou ao impedir temporariamente que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visite o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. É o que aponta pesquisa Datafolha, segundo a qual 59% dos entrevistados avaliaram que a decisão “agiu mal”, enquanto 36% disseram que o magistrado “agiu bem”.

O levantamento mostra ainda que 2% dos entrevistados afirmaram que Moraes “não agiu bem nem mal”, e 4% disseram não saber responder.

A restrição foi determinada em julho deste ano, após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta escrita pelo ex-presidente na qual ele o autorizava a atuar como porta-voz durante a campanha eleitoral. Na decisão, Alexandre de Moraes destacou que Jair Bolsonaro já estava submetido a medidas cautelares que proibiam o uso de redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros.

Maioria apoia manutenção da prisão domiciliar

A pesquisa também mostra que a maior parte da população é favorável à permanência de Jair Bolsonaro no regime de prisão domiciliar.

Segundo o Datafolha, 59% dos entrevistados defendem que o ex-presidente continue cumprindo a pena em casa. Outros 35% consideram que ele deveria cumprir a condenação em uma unidade prisional, enquanto 6% não souberam opinar.

Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Desde março deste ano, ele cumpre prisão domiciliar humanitária, autorizada em razão de seu estado de saúde.

Em julho, Alexandre de Moraes prorrogou o benefício, mas determinou novas restrições.

Entre elas, está a suspensão, por 30 dias, do direito de receber visitas, incluindo familiares. Apenas médicos, fisioterapeutas e advogados foram mantidos entre as exceções autorizadas.

O ministro também proibiu visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições de outubro, além da divulgação de manifestações de caráter eleitoral, inclusive por terceiros e em qualquer meio de comunicação.

Uso de redes sociais divide menos os entrevistados

Outro ponto abordado pelo levantamento foi a proibição do uso de redes sociais pelo ex-presidente durante o cumprimento da prisão domiciliar.

De acordo com a pesquisa, 62% dos entrevistados apoiam a restrição imposta por Moraes, enquanto 35% defendem que Bolsonaro possa utilizar as plataformas digitais. Outros 3% não responderam.

A vedação ao uso das redes sociais foi determinada por Alexandre de Moraes em julho de 2025, no âmbito de investigação sobre suposta obstrução da Justiça, coação no curso do processo e atentado à soberania nacional.

Como foi feita a pesquisa

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas, em entrevistas presenciais realizadas entre os dias 22 e 23 de julho.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01166/2026.