Gasolina com 32% de etanol entra em vigor neste sábado; veja o que muda para o motorista

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(Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Nova mistura obrigatória vale em todo o país e faz parte da estratégia do governo para reduzir a dependência do petróleo importado

Motoristas que abastecerem os veículos com gasolina a partir deste sábado (1º) encontrarão uma mudança na composição do combustível vendida nos postos brasileiros. Entra em vigor em todo o país o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passa de 30% para 32%, medida que terá validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada pelo mesmo período.

A alteração foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em meio ao cenário de alta nos preços internacionais do petróleo, intensificada pelos conflitos no Oriente Médio.

Segundo o governo federal, a ampliação da participação do etanol tem como objetivo reduzir a dependência das importações de gasolina, fortalecer a produção nacional de biocombustíveis e minimizar os impactos das oscilações do mercado internacional sobre os preços pagos pelos consumidores.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a nova composição poderá gerar uma redução aproximada de R$ 0,03 por litro da gasolina.

Na última semana, o preço médio do combustível nos postos brasileiros foi de R$ 6,56 por litro, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro, o governo tem adotado medidas para conter os efeitos da valorização do petróleo sobre os combustíveis comercializados no país.

Especialistas divergem sobre impacto no bolso

Embora o governo estime uma pequena redução nos preços, especialistas avaliam que o consumidor poderá perceber pouco efeito na prática.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo, o comportamento dos preços dependerá principalmente das oscilações do mercado de combustíveis e da produção de etanol ao longo do ano.

Segundo ele, durante o período de safra, quando há maior oferta do biocombustível, o etanol tende a ficar mais barato que a gasolina pura. Já na entressafra, a redução da produção costuma elevar os preços do produto, diminuindo ou até eliminando essa vantagem.

Araújo também ressalta que os custos logísticos do etanol costumam ser superiores aos da gasolina, principalmente nas regiões mais distantes das usinas produtoras, fator que pode limitar uma eventual redução no preço final ao consumidor.

Na avaliação do especialista em direito tributário e diretor da Mix Fiscal, Fabricio Tonegutti, a principal consequência da nova mistura deverá ser uma maior estabilidade dos preços da gasolina, e não necessariamente uma redução.

Segundo ele, ao ampliar o uso do etanol produzido no Brasil, o país diminui parte da dependência do combustível importado e reduz a influência das oscilações do petróleo no mercado interno.

Medida gera debate sobre impactos nos veículos

A elevação do percentual de etanol também provoca discussões entre especialistas e representantes do setor de combustíveis.

Para Sergio Araújo, mudanças desse tipo deveriam ser precedidas por estudos técnicos e avaliações capazes de garantir total segurança na adoção da nova mistura.

Já Fabricio Tonegutti observa que a maioria dos veículos flex já é projetada para operar com diferentes proporções de gasolina e etanol. Entretanto, ele destaca que há preocupação em relação aos veículos movidos exclusivamente a gasolina, principalmente os modelos mais antigos, que poderiam apresentar maior risco de desgaste ou problemas mecânicos.

Governo diz que testes comprovaram segurança

O governo federal afirma que a adoção da gasolina com 32% de etanol foi baseada em estudos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), sob coordenação do Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, os ensaios avaliaram veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representando diferentes tecnologias e faixas de idade da frota brasileira.

Segundo os resultados apresentados pelo governo, não foram identificados impactos relevantes no desempenho, na dirigibilidade ou no funcionamento dos veículos testados.

Segundo aumento em pouco mais de um ano

Esta é a segunda ampliação consecutiva do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina.

Em junho de 2025, a mistura havia passado de 27% para 30%, após estudos técnicos indicarem a viabilidade da mudança. Agora, o percentual sobe para 32%, reforçando a estratégia do governo de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.