Após a confirmação da prisão do renomado cardiologista de 78 anos na sexta-feira (14) por ordem da 2ª Vara do Tribunal do Júri, do juiz Aluízio Pereira dos Santos, a Delegacia Especializada no Atendimento À Mulher (DEAM) confirmou, hoje (17), que Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi mesmo assassinada em sua casa. Dessa forma, ficou comprovado o feminicídio.
A fisioterapeuta foi encontrada morta com perfuração por projétil de arma de fogo no dia 18 de maio, na chácara onde o casal vivia no bairro Jardim Veraneio, em Campo Grande. Na última sexta, o marido teve a prisão preventiva decretada sob tipificação da Lei do Feminicídio. Passou pela audiência de custódia no sábado (15) e foi transferido para o Presídio Militar, de onde aguarda pelo julgamento.
Conforme a nota à imprensa da DEAM, a prisão somente foi possível após a conclusão das perícias técnicas, que reuniram elementos probatórios suficientes para comprovar a materialidade do feminicídio. “A investigação contou com laudos periciais do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal, que afastaram categoricamente a hipótese de suicídio inicialmente cogitada”, cita.
O caso e a versão do marido
Conforme consta, a morte da vítima foi inicialmente comunicada como suicídio. Na época dos fatos, o médico alegou que estava em outro cômodo da casa quando ouviu o disparo de tiro na direção do quarto do casal, no piso superior da mansão.
Ele foi até o local e a encontrou já sem vida por consequência de um tiro contra a cabeça. O próprio médico constatou o óbito no local, mas acionou o SAMU e o Corpo de Bombeiros. Depois, chamou o ex-caseiro que, com ajuda de outros, alteraram a cena.
As autoridades foram acionadas somente depois e a Polícia Civil, por meio da DEAM, identificou inconsistências na dinâmica e passou a investigar a hipótese de homicídio.
Perícia fragiliza a tese de suicídio
O laudo necroscópico revelou elementos que contradizem a versão de disparo a curta distância ou encostado:
- Ausência de marcas de pólvora, fuligem ou queimaduras na pele e roupas
- Três hematomas no corpo: 8 cm no peito, na mão direita e na coxa direita
- Causa da morte: traumatismo cranioencefálico por projétil de arma de fogo
- O exame não definiu se foi homicídio ou suicídio nem quem atirou
Contexto de controle e isolamento
Ao longo da investigação, a família de Fabíola relatou que ela vivia sob controle e isolamento: deixou de trabalhar, não podia sair sozinha e dependia financeiramente do marido.
Conversas passaram a ser por videochamada e eram interrompidas quando ele chegava. No fim de 2025, ela chorou e pediu ajuda para deixar o relacionamento; a família ofereceu moradia no litoral paulista para que ela recomeçasse a vida.
Outras suspeitas e antecedentes
No dia do crime, a polícia apreendeu armas e munições na mansão. O médico alegou ser colecionador, mas algumas não tinham o registro. Além disso, descobri-se que um armário com armas e munições tinha sido removido da casa logo após a morte.
Ele foi preso por posse irregular de arma e fraude processual, mas conseguiu habeas corpus e respondia em liberdade. Se confirmado como feminicídio, será o 22º caso registrado em MS neste ano.
Audiência e posicionamentos
A defesa do médico classificou a prisão de “descabida”. “O inquérito policial é um procedimento inquisitivo, o que significa dizer que não há contraditório, nem exercício do direito de defesa, nessa fase processual. O processo se inicia em juízo com eventual recebimento da denúncia, quando então se abrirá prazo para o oferecimento de Resposta à Acusação, com oportunidade para a defesa apontar as nulidades processuais e requerer a produção de prova e contraprova. O Dr. João Jazbik se mantém firme na sua versão e lamenta todo tipo de exploração enviesada e sensacionalista da tragédia“, cita.





















