Indicador mede a produção de bens e serviços no país e é acompanhado pelo governo, mercado financeiro e empresas para avaliar o desempenho da atividade econômica
O ritmo de crescimento da economia brasileira volta ao centro das atenções nesta terça-feira (1º), quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao segundo trimestre de 2026. O número mostrará como a atividade se comportou entre abril e junho, depois de um início de ano marcado por expansão mais forte.
No primeiro trimestre, o PIB brasileiro cresceu 1,1% em relação aos três meses anteriores, na série com ajuste sazonal. O resultado levou o valor da produção de bens e serviços do país para R$ 3,3 trilhões no período.
Os dados preliminares divulgados ao longo das últimas semanas, porém, indicaram perda de velocidade da economia no segundo trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de prévia do PIB, registrou crescimento de 0,2% entre abril e junho, depois de uma alta de 1,2% no primeiro trimestre.
A divulgação do IBGE permitirá verificar se essa desaceleração foi confirmada pelas Contas Nacionais Trimestrais e quais setores contribuíram para o resultado.
O que é o PIB?
O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país durante determinado período.
Na prática, o indicador funciona como uma fotografia da atividade econômica. Quando o PIB cresce, significa que, em geral, houve aumento da produção de bens e serviços. Quando recua, há redução da atividade.
O cálculo considera três grandes grupos da economia: agropecuária, indústria e serviços. Também são analisados componentes da demanda, como consumo das famílias, consumo do governo, investimentos, exportações e importações.
Por ser um indicador abrangente, o PIB é usado para avaliar a evolução da economia e serve de referência para decisões de empresas, investidores e governos.
Economia perdeu força no segundo trimestre
Os indicadores divulgados antes do PIB oficial apontam para uma atividade menos intensa no período de abril a junho.
O IBC-Br caiu 0,6% em junho na comparação com maio. Com isso, o indicador acumulou crescimento de 0,2% no segundo trimestre. A agropecuária avançou 0,3% no período, enquanto a indústria cresceu 0,5%. Já os serviços recuaram 0,1%.
Outro indicador antecedente calculado pela Fundação Getulio Vargas apontou crescimento estimado de 0,3% para o PIB no segundo trimestre, também sinalizando uma desaceleração em relação ao início do ano.
O cenário ocorre em um ambiente de juros ainda elevados. O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14% ao ano em agosto, no quarto corte consecutivo, mas manteve uma postura cautelosa diante das condições de inflação e atividade econômica.
Mercado reduz previsão de crescimento para 2026
Na véspera da divulgação do PIB, o mercado financeiro voltou a reduzir a previsão de crescimento da economia brasileira para este ano.
De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (31), a mediana das projeções para o PIB de 2026 caiu de 1,95% para 1,92%. Há um mês, a previsão era de crescimento de 1,99%. Para 2027, a estimativa permaneceu em 1,50%.
A projeção do mercado para 2026 está próxima da estimativa do próprio Banco Central, que prevê expansão de 2% da economia brasileira.
O resultado do segundo trimestre será importante para avaliar se a economia está caminhando para um crescimento próximo dessas projeções ou se a perda de ritmo observada nos indicadores antecedentes poderá levar a novas revisões.
O que pode influenciar o resultado
Entre os fatores acompanhados pelos economistas estão o comportamento do consumo das famílias, os investimentos, a produção industrial, o desempenho do setor de serviços e a agropecuária.
O mercado de trabalho também tem apresentado sinais de resistência. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível para esse período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. O número de pessoas ocupadas chegou a 103,3 milhões.
Por outro lado, os juros elevados continuam sendo um dos principais fatores de pressão sobre o crédito e os investimentos.
Resultado será usado para avaliar trajetória da economia
Além de mostrar o desempenho do segundo trimestre, o resultado do PIB ajudará a definir o quadro de crescimento acumulado de 2026.
O Brasil encerrou 2025 com expansão de 2,3%, segundo o IBGE. Naquele ano, a agropecuária cresceu 11,7%, enquanto os serviços avançaram 1,8%.
A divulgação desta terça-feira, portanto, será acompanhada de perto porque poderá indicar se a economia brasileira mantém uma trajetória de crescimento, ainda que em ritmo menor, ou se a desaceleração observada nos indicadores mensais foi mais intensa do que o esperado.





















