Confiança dos empresários do comércio de Campo Grande sobe 4,3% em agosto

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(Foto: PMCG)

ICEC chegou a 92,7 pontos, ainda abaixo da faixa de otimismo, mas expectativas e intenção de contratação melhoraram

A confiança dos empresários do comércio de Campo Grande ganhou força em agosto, mas ainda não foi suficiente para colocar o setor na faixa considerada otimista. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) chegou a 92,7 pontos, alta de 4,3% em relação a julho, segundo levantamento divulgado pela Fecomércio-MS.

Mesmo com a melhora, o indicador permanece abaixo dos 100 pontos, linha que separa os campos de pessimismo e otimismo. O resultado, porém, mostra uma percepção mais favorável dos empresários sobre os próximos meses, especialmente em relação aos próprios negócios.

A reação apareceu nos três componentes que formam o índice. O indicador que mede as condições atuais do comércio avançou 2,5% no mês. Já o índice de expectativas cresceu 4,1%, enquanto o indicador relacionado à intenção de investimentos teve alta de 5,7%.

A avaliação sobre a economia brasileira continua sendo o principal ponto de preocupação. Nesse quesito, o indicador ficou em 34 pontos. Em sentido oposto, a percepção sobre o futuro da própria empresa chegou a 138,6 pontos, enquanto o índice geral de expectativas alcançou 121,1 pontos.

Os números indicam que, embora o cenário atual ainda seja visto com cautela, os empresários estão mais dispostos a acreditar em uma melhora das condições de negócios nos próximos meses.

“O crescimento da confiança, das expectativas e dos investimentos sinaliza que o setor mantém sua capacidade de adaptação e segue acreditando na retomada das oportunidades de negócios”, afirmou o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, segundo a Fecomércio-MS.

Bens duráveis lideram reação

Entre os segmentos analisados, o comércio de bens duráveis apresentou o melhor resultado em agosto. O ICEC desse grupo chegou a 95 pontos, com crescimento de 5,9% na comparação com julho.

O segmento também registrou as maiores altas nas expectativas relacionadas à economia e ao comércio, indicando uma perspectiva mais favorável para os próximos meses.

A melhora da confiança também aparece na intenção de contratação. O indicador chegou a 113,4 pontos, permanecendo acima da marca de 100 pontos.

Mais de 63% dos empresários entrevistados afirmaram que pretendem aumentar o número de funcionários nos próximos meses.

Para a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS (IPF/MS), Regiane Dedé, o resultado mostra uma recuperação gradual da percepção dos comerciantes.

“Embora o índice de confiança ainda permaneça abaixo dos 100 pontos, o avanço registrado em agosto é um sinal importante de recuperação. Observamos crescimento nos três pilares do indicador, especialmente nas expectativas e nos investimentos”, afirmou.

Cenário nacional é diferente

O movimento registrado em Campo Grande ocorre em um momento de maior cautela no comércio brasileiro, mas a trajetória nacional é diferente da observada na Capital.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o ICEC nacional ficou em 101,3 pontos em agosto, ainda na faixa considerada otimista, mas com queda de 0,6% em relação a julho. O resultado foi o menor patamar do ano, considerando o indicador com ajuste sazonal.

No país, a avaliação das condições atuais caiu 2,5%, enquanto a intenção de investimentos recuou 0,3%. O único componente a apresentar avanço foi o de expectativas futuras, que chegou a 128,2 pontos.

A diferença entre os resultados de Campo Grande e do país mostra que, enquanto os empresários brasileiros demonstraram maior cautela em agosto, os comerciantes da Capital tiveram avanço na percepção sobre o momento e, principalmente, sobre as perspectivas para os próximos meses.

O que é o ICEC

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio é calculado mensalmente a partir de três dimensões: condições atuais, expectativas e intenção de investimentos.

A marca de 100 pontos funciona como referência para a leitura do indicador. Resultados acima desse nível apontam confiança, enquanto números abaixo indicam uma percepção predominantemente pessimista.

Em Campo Grande, o resultado de agosto ainda está na faixa negativa, mas a alta mensal de 4,3% sinaliza uma melhora da confiança dos empresários em relação ao mês anterior.

O avanço das expectativas e da intenção de investir também pode influenciar decisões relacionadas a contratações, estoques e expansão dos negócios, movimentos que têm impacto direto sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho local.