Lula aposta em união no desfile, e Flávio Bolsonaro explora crise no STF no 7 de Setembro

7
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (Montagem: Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Flickr)

Candidatos terão agendas distintas no feriado, em meio à tensão envolvendo Alexandre de Moraes e as investigações sobre o Banco Master

A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, o feriado de 7 de Setembro deve colocar em lados opostos as estratégias dos dois candidatos mais bem posicionados na corrida presidencial. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará do desfile oficial em Brasília com uma mensagem de união nacional, Flávio Bolsonaro (PL) pretende transformar um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, em uma demonstração de força da oposição e em palco para críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O contraste entre as agendas ocorre em meio à escalada da crise envolvendo o STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF), com as investigações sobre o Banco Master e as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro no centro das discussões políticas.

Lula participa de desfile em Brasília

O desfile da Independência em Brasília está previsto para começar às 9h desta segunda-feira (7), na Esplanada dos Ministérios. O governo federal escolheu como mote da cerimônia a frase “A Força que Une o Brasil”, que deverá aparecer em materiais e peças do evento.

A programação terá três eixos principais: soberania nacional, enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. A tradicional participação das Forças Armadas também fará parte da cerimônia.

A escolha do slogan reforça a estratégia de Lula de apresentar uma imagem institucional durante o feriado, em um momento de forte tensão entre integrantes do Judiciário e de crescente disputa política em torno do Supremo.

O presidente tem defendido que as suspeitas envolvendo autoridades sejam investigadas. Em declarações recentes, Lula afirmou que ninguém deve utilizar um cargo público para benefício próprio, sem citar diretamente Alexandre de Moraes.

O desfile oficial também ocorre em um momento particularmente sensível para o governo. A crise no STF se agravou após a divulgação de mensagens envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, além de novos desdobramentos relacionados à atuação de outros integrantes da Corte e da PGR.

Flávio aposta em ato na Avenida Paulista

Em São Paulo, a estratégia será diferente. Flávio Bolsonaro convocou apoiadores para uma manifestação na Avenida Paulista, marcada para as 15h desta segunda-feira.

A campanha do candidato do PL pretende aproveitar o ato para ampliar as críticas ao STF e, especialmente, ao ministro Alexandre de Moraes. O movimento ganhou força diante das recentes revelações relacionadas ao caso Banco Master.

A manifestação vem sendo tratada pelo grupo político como uma oportunidade para mobilizar a base bolsonarista na reta final da campanha. Entre as palavras de ordem previstas estão críticas ao governo Lula e pedidos pela saída de Moraes do Supremo.

Flávio tem defendido que Moraes deixe o STF e também cobrado uma investigação sobre a atuação do ministro. A oposição ainda pressiona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em relação aos pedidos de impeachment apresentados contra integrantes da Corte.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também confirmou participação no ato ao lado de Flávio. A presença do governador é vista pela campanha como um reforço à mobilização da direita no feriado.

Um 7 de Setembro com disputa política

A data tradicionalmente marcada por cerimônias cívicas e militares terá, neste ano, um peso adicional por ocorrer durante a campanha presidencial e a menos de um mês do primeiro turno.

De um lado, Lula deverá usar a cerimônia oficial para reforçar a defesa da união nacional e das instituições. Do outro, Flávio Bolsonaro pretende utilizar a mobilização de rua para explorar o desgaste do STF e transformar as críticas a Moraes em uma das principais bandeiras de sua campanha.

A diferença de estratégia evidencia também o ambiente de polarização que deve marcar a reta final da disputa pelo Palácio do Planalto.