Maioria dos eleitores diz não seguir orientação de líderes religiosos para votar, aponta Quaest

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Urna eletrônica (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Apenas 10% afirmam que a opinião de líderes religiosos influencia muito a escolha para presidente

Uma pesquisa Genial/Quaest mostra que a maioria dos eleitores brasileiros afirma não levar em conta a opinião de líderes religiosos na hora de escolher o candidato à Presidência da República. Segundo o levantamento, 79% disseram que a posição de uma liderança religiosa não influencia sua decisão de voto, enquanto 18% admitem algum grau de influência.

Entre os entrevistados, 10% afirmaram que a opinião de líderes religiosos influencia muito a escolha do candidato e outros 8% disseram que influencia um pouco. Outros 2% declararam não ter liderança religiosa, enquanto 1% não soube ou não respondeu.

Diferença entre católicos e evangélicos

A pesquisa aponta pequenas diferenças entre os grupos religiosos. Entre os católicos, 81% disseram que a opinião de líderes religiosos não interfere na escolha para presidente, enquanto 9% afirmaram que existe algum nível de influência.

Entre os evangélicos, 79% também responderam que não seguem a orientação de líderes religiosos para definir o voto. Nesse grupo, 13% disseram que a opinião dessas lideranças exerce influência.

Os dados fazem parte de levantamento da Genial/Quaest sobre religião e voto para presidente em 2026.

Resultado se mantém entre diferentes grupos políticos

A percepção de pouca influência também aparece quando os eleitores são divididos de acordo com sua identificação política.

Entre os independentes, 80% disseram que líderes religiosos não influenciam sua decisão. O percentual foi de 77% entre os eleitores identificados com o lulismo e de 74% entre os bolsonaristas.

Na parcela que considera a opinião religiosa muito influente, os índices foram de 9% entre independentes e 13% tanto entre lulistas quanto entre bolsonaristas.

O resultado ocorre em um cenário eleitoral ainda marcado pela polarização entre os principais campos políticos. Em análise publicada recentemente, a própria Quaest apontou que a disputa presidencial de 2026 permanece concentrada em dois polos, com Lula e Flávio Bolsonaro ocupando posições centrais no cenário nacional.

Diferenças regionais

A região Centro-Oeste/Norte apresentou o menor percentual de eleitores que consideram irrelevante a opinião de líderes religiosos: 75%. No Sul, por outro lado, o índice chegou a 80%.

Quando consideradas as respostas que apontam algum grau de influência, Nordeste e Centro-Oeste/Norte aparecem com 13%, os maiores percentuais entre as regiões pesquisadas.

Mulheres e homens

Também há diferença de acordo com o sexo dos entrevistados. Entre as mulheres, 81% disseram que líderes religiosos não influenciam sua escolha para presidente, enquanto 8% apontaram algum nível de influência.

Entre os homens, 77% afirmaram não sofrer influência e 11% disseram que a opinião de líderes religiosos influencia muito sua decisão.

Escolaridade e renda

O levantamento também identificou diferenças relacionadas à escolaridade. Entre os eleitores com ensino superior, 86% disseram que a opinião de líderes religiosos não influencia o voto. O índice foi de 79% entre aqueles com ensino fundamental.

Já entre os entrevistados com ensino médio, 11% afirmaram que a opinião de uma liderança religiosa influencia muito a escolha. Entre aqueles com ensino fundamental, o percentual foi de 10%.

A renda também apresentou diferença. Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, 75% disseram que não há influência dos líderes religiosos, enquanto 12% apontaram algum grau de influência.

No grupo com renda superior a cinco salários mínimos, 83% afirmaram não sofrer influência e 7% disseram que a opinião religiosa interfere na escolha.

A pesquisa sobre religião e voto integra a série de levantamentos da Genial/Quaest para as eleições de 2026.