E se aprender a ler e escrever também pudesse começar com uma amarelinha, um quebra-cabeça ou uma história contada pela avó? Em uma infância cada vez mais atravessada por telas e estímulos digitais, o projeto “ABC do Brincar: Juntos pela Alfabetização” propõe recuperar o espaço das brincadeiras tradicionais como ferramentas de aprendizagem, convivência e afeto entre gerações, valorizando também a cultura, a memória e os saberes compartilhados pela comunidade.
“Vivemos em um mundo muito digital, marcado pela dispersão da atenção. Nesse contexto, resgatar brincadeiras lúdicas que envolvam o corpo, o movimento e a interação física é uma estratégia potente para contribuir com a alfabetização e com o desenvolvimento integral”, explica Rafael Gloria, diretor executivo da Associação Cultural Nonada Jornalismo, organização idealizadora do projeto.
Com essa proposta, o projeto “ABC do Brincar” promove, entre os dias 22 e 26 de setembro, a “Semana do Brincar”, na Escola Municipal Profª Leire Pimentel de Carvalho Corrêa, no Jardim Colibri, região sul de Campo Grande. O projeto busca estreitar os vínculos entre professores, pais e alunos e fazer com que a experiência do brincar ultrapasse os muros da escola e chegue aos lares.
Para isso, 100 famílias receberão kits educativos, com material pedagógico e uma publicação infantil que resgata brincadeiras de outras gerações, de um tempo em que a diversão acontecia longe das telas. A escola também ganhará um cantinho do brincar com brinquedos pedagógicos, para que as atividades tenham continuidade após o encerramento do projeto. Ao todo, o projeto prevê impactar e formar 300 pessoas.
Na manhã de sábado, 26 de setembro, a escola recebe crianças, familiares, professores e integrantes da comunidade escolar para uma manhã dedicada ao brincar. O momento será marcado pelo lançamento e entrega do livro “O Baú de Brincadeiras da Vó Elza”, publicação inédita que reúne brincadeiras infantis presentes no Mato Grosso do Sul.
A publicação traz a história de Nina, uma menina que encontra um pião no baú da avó, Elza. A partir das lembranças da idosa, ela descobre como as gerações passadas se divertiam em Mato Grosso do Sul. A narrativa costura infância e memória afetiva, fazendo da obra uma ponte entre gerações.
“No primeiro semestre, realizamos uma pesquisa junto à comunidade escolar que sedia o projeto e coletamos depoimentos sobre as brincadeiras de infância. A partir dessa escuta, mapeamos brincadeiras que integram a publicação, desde as mais conhecidas, como amarelinha, pega-pega e queimada, até as mais regionais, como o Bozó, as bonecas de sabugo de milho e o jogo de taco, também conhecido como bets. Foi muito interessante conhecer essas memórias, fundamentais para construir o livro e a história infantil que a acompanha, mostrando a relação entre a Vó Elza e sua neta, Nina, que descobre, de forma lúdica, como eram as brincadeiras de outras gerações”, detalha Rafael Gloria.
A programação também contará com apresentações culturais do grupo Batucando Histórias e do Batuque Banda, em um espetáculo interativo que mistura cantigas de roda, brincadeiras tradicionais, folclore e muito humor. Com uma trajetória voltada ao público infantil e às famílias, o Batucando Histórias utiliza a música, a contação e a ludicidade para estimular a participação e valorizar os saberes da cultura popular. A proposta é transformar o encerramento em um encontro entre diferentes gerações, aproximando o público das brincadeiras e manifestações culturais que fazem parte da memória coletiva.
Ao reunir crianças, famílias e educadores, o projeto também realiza uma série de formações voltadas para a alfabetização lúdica. Por cinco dias, as famílias participarão de uma oficina sobre desenvolvimento infantil, aprendizagem e fortalecimento de vínculos socioafetivos. Em paralelo, as crianças também recebem formação com arte-educadores que irão desenvolver jogos e atividades lúdicas que unem o brincar ao processo de alfabetização.
A psicóloga e especialista em psicopedagogia Pietra Garcia, que conduzirá a formação dos familiares durante a programação, destaca que brincar também é uma forma de desenvolver habilidades essenciais para a vida. “Brincadeiras de faz-de-conta treinam a memória, a tomada de decisão e a flexibilidade cognitiva, que sustentam a interpretação de textos. Jogos como a amarelinha ajudam no reconhecimento de sequências numéricas. O dominó e o jogo da memória exigem raciocínio lógico e atenção, fundamentais para a matemática. O gosto por desafios despertado na infância é, muitas vezes, o ponto de partida para o interesse por carreiras em Ciência e Tecnologia”, afirma.
O projeto “ABC do Brincar – Juntos pela Alfabetização” é realizado pela Associação Cultural Nonada Jornalismo, com patrocínio da Coca-Cola FEMSA Brasil, por meio da Lei Rouanet, coordenação geral da Associação Nonada Jornalismo, produção executiva da Amora Produções Culturais e apoio da Prefeitura de Campo Grande através da Secretaria Municipal de Educação. Outras informações do projeto acesse o Instagram (@nonadalab).
O “ABC do Brincar – Juntos pela Alfabetização” integra a atuação social da Coca-Cola FEMSA Brasil em Campo Grande, onde a companhia também possui outras iniciativas de sustentabilidade, entre elas a educação ambiental em escolas, também em parceria com a Secretaria de Educação do município.
Formação que prepara o caminho
A programação de setembro é parte de uma iniciativa que já começou a movimentar a comunidade escolar. Nos dias 24 e 25 de agosto, professores da escola participaram de uma formação voltada ao uso do brincar como ferramenta de aprendizagem, ministrada por Tarissa Marques, coordenadora pedagógica. A atividade integrou as primeiras ações presenciais do projeto e contribui para preparar os educadores para a “Semana do Brincar”.
Serviço:
Projeto ABC do Brincar – Juntos pela Alfabetização
Semana do Brincar
Datas: 22 a 25 de setembro | 18h às 21h
26 de setembro | 9h às 11h — encerramento
Local: Escola Municipal Profª Leire Pimentel de Carvalho Corrêa
Endereço: Rua Enzo Cianteli, s/n – Colibri II, Campo Grande





















