Trabalhadores dos Correios iniciaram na noite de quinta-feira (10) uma greve por tempo indeterminado, aprovada em assembleias com adesão de sindicatos de todo o país.
O principal ponto de ruptura nas negociações é o plano de saúde dos funcionários — e sobre esse tema empresa e sindicatos apresentam versões diferentes.
Enquanto a estatal diz ter mantido a assistência, a categoria alerta para mudança que pode encarecer em até R$ 1,2 mil o que cada trabalhador paga mensalmente.
O que está em jogo no plano de saúde
Segundo o sindicato, a direção dos Correios quer mudar seu papel no CorreiosSaúde: de mantenedora passaria a ser apenas patrocinadora, o que poderia transferir mais custos para os funcionários.
“Hoje tenho colega pagando cerca de R$ 1,2 mil pelo plano, com salário médio de R$ 2,5 mil. Se encarecer, quem vai conseguir pagar?”, questiona Wilton dos Santos Lopes, presidente do Sintect-MS.
Já os Correios afirmam ter apresentado proposta que contemplava reajuste de 100% do INPC e manutenção da assistência à saúde, sem detalhar as duas cláusulas que ficaram de fora do acordo.
Em Mato Grosso do Sul: atendimento segue, mas distribuição pode sofrer
Os Correios informaram que as unidades em Mato Grosso do Sul funcionam normalmente e que adotaram plano de contingência com remanejamento de equipes.
O sindicato confirma que nenhuma agência fechou, mas alerta que a distribuição de encomendas e correspondências já começa a sentir o impacto. Cerca de 1,2 mil trabalhadores do Estado foram convocados à paralisação.
Uma concentração está marcada para segunda-feira (14), em frente ao complexo dos Correios, na Rua Barão do Rio Branco, próximo à antiga rodoviária de Campo Grande
Empresa em crise espera empréstimo de R$ 7 bilhões
A greve chega em momento delicado. Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos no vermelho, com prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre.
A estatal espera receber até o dia 15 de setembro empréstimo de R$ 7 bilhões com consórcio de bancos estrangeiros e o Banrisul — mesma estrutura que liberou R$ 12 bilhões no fim do ano passado.
Enquanto a empresa busca fôlego financeiro, os trabalhadores rejeitam que o ajuste caia sobre seus benefícios.
A empresa garante estar remanejando equipes e adotando medidas logísticas para preservar as entregas. Porém, com a greve por tempo indeterminado e sem acordo à vista, a tendência é que os atrasos cresçam conforme a adesão se amplie.
A recomendação é de que o público redobre a atenção a prazos e acompanhe o andamento de postagens e encomendas com antecedência.











