Após período do vazio sanitário, MS libera plantio da soja na quarta-feira

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(Foto: Divulgação/Famasul)

Janela de plantio vai até 31 de dezembro e previsão indica temperaturas acima da média e chuva irregular

O calendário muda nesta semana no campo sul-mato-grossense: a partir de quarta-feira (16), produtores estarão autorizados a colocar novamente a soja no solo depois de três meses de vazio sanitário. A abertura da janela da safra 2026/2027 ocorre em um cenário de atenção ao clima e com estimativa inicial de produtividade de 52,4 sacas por hectare, 13,2% abaixo do resultado registrado no ciclo anterior.

A projeção foi divulgada pelo Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga-MS), executado pela Aprosoja/MS em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul e a Famasul. O levantamento não atribui a uma única causa a redução prevista, mas as condições climáticas estão entre os fatores que podem interferir no desempenho das lavouras.

Para os próximos meses, a previsão indica chuvas próximas ou acima da média entre setembro e novembro. O problema é que a distribuição das precipitações pode ocorrer de maneira irregular entre as regiões do Estado. Ao mesmo tempo, as temperaturas tendem a permanecer acima da média, com possibilidade de períodos de calor intenso.

Na prática, o início da janela de plantio não significa que todas as propriedades receberão sementes imediatamente. O produtor precisa avaliar as condições de umidade do solo antes de iniciar a operação, já que a falta de água no momento adequado pode comprometer a germinação e o estabelecimento inicial das plantas.

Vazio sanitário termina nesta terça

O vazio sanitário da soja termina em 15 de setembro em Mato Grosso do Sul. Durante o período, iniciado em 15 de junho, é proibida a permanência de plantas vivas de soja nas propriedades, inclusive as chamadas guaxas ou tigueras, que surgem espontaneamente após a colheita.

A regra tem como principal objetivo reduzir a sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, responsável pela ferrugem-asiática. Sem plantas vivas para servir de hospedeiras, o ciclo do fungo é interrompido e a pressão da doença sobre a nova safra tende a ser menor.

O calendário definido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece que a semeadura da soja em Mato Grosso do Sul poderá ocorrer entre 16 de setembro e 31 de dezembro de 2026.

A medida fitossanitária ganhou ainda mais importância diante do aumento de registros de ferrugem-asiática no Estado. Segundo a Aprosoja/MS, foram identificadas 70 ocorrências na safra 2025/2026, contra 12 no ciclo anterior.

Produtores preparam áreas antes do plantio

Com a proximidade da abertura da janela, os trabalhos nas propriedades se concentram na preparação dos terrenos que receberão a nova safra. Entre as atividades estão correção e análise do solo, adubação, revisão de máquinas, aquisição de sementes e defensivos e dessecação das áreas.

O trabalho ocorre em meio ao encerramento da colheita do milho segunda safra. Segundo a Aprosoja/MS, a atenção dos produtores se voltou para o controle das plantas daninhas durante a dessecação pré-plantio, especialmente da buva, considerada um dos principais pontos de atenção nesse período.

O analista técnico da Aprosoja/MS Lucas Santana orienta que o controle das invasoras seja feito antes da entrada das máquinas para a semeadura.

“Entrar com a área limpa no plantio é fundamental para evitar a competição com a soja desde o início da cultura”, afirmou o especialista.

Produtividade fica abaixo da safra anterior

A estimativa de 52,4 sacas por hectare representa uma diferença significativa em relação ao desempenho obtido na safra 2025/2026. O levantamento final daquele ciclo apontou produtividade média de 60,40 sacas por hectare em Mato Grosso do Sul.

Apesar da expectativa inicial menor, o resultado definitivo da nova safra ainda dependerá das condições encontradas ao longo do ciclo. Volume e regularidade das chuvas, temperaturas, controle de doenças e pragas e manejo das lavouras estarão entre os fatores capazes de alterar a produtividade inicialmente projetada.

A própria Aprosoja/MS destaca que a previsão de 52,4 sacas por hectare também serve como referência para os cálculos econômicos da safra, mas o resultado efetivamente obtido poderá variar conforme produtividade, preços de comercialização e custos dos insumos.

Com a liberação do plantio na quarta-feira, começa oficialmente uma nova etapa para os produtores de Mato Grosso do Sul. A prioridade, neste primeiro momento, será aproveitar a janela de semeadura sem descuidar das condições do solo e das medidas necessárias para manter a sanidade das lavouras.