Nesta terça-feira (6) é celebrado o Dia Mundial da Paralisia Cerebral e, para marcar a data, o neurologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), Dr. Gustavo Leopold Schutz Pereira, esclarece o que é a condição, como reconhecê-la e quais caminhos existem para o desenvolvimento e a qualidade de vida.
O que é — e o que NÃO é
A paralisia cerebral é causada por lesão no sistema nervoso central, que ocorre durante a gestação, no parto ou nos primeiros anos de vida. A característica fundamental: a lesão não é progressiva — não se agrava com o tempo. Os principais efeitos são nas funções motoras, mas podem vir acompanhados de comprometimentos visuais, sensitivos, cognitivos ou crises convulsivas.
“Não é obrigatório, de forma alguma, que a deficiência motora venha acompanhada de deficiência intelectual. Esse é um preconceito que não deve ser alimentado”, ressalta o especialista.
Atinge cerca de 2 a 5 casos a cada mil nascidos vivos, sendo uma das condições mais frequentes da pediatria.
Sinais que merecem atenção
A manifestação varia conforme a área do cérebro afetada. Entre os indícios que podem surgir no desenvolvimento:
| Faixa | O que observar |
|---|---|
| 👶 Bebês | “Bebê molinho” — dificuldade para sustentar cabeça e tronco na idade esperada; postura flácida ou rígida |
| 🧒 Crianças | Andar na ponta dos pés, pernas cruzadas, usar mais um lado do corpo que o outro, atraso na fala ou nos movimentos |
“A presença de um ou mais sinais não significa que a criança tenha paralisia cerebral. Mas merece avaliação com pediatra ou neurologista”, alerta Dr. Gustavo.
Como é diagnosticada?
- 📋 Avaliação clínica — histórico de gestação, parto e desenvolvimento da criança;
- 🔬 Exames complementares — ultrassom transfontanelar em bebês e ressonância magnética em crianças maiores;
- 📊 Análise conjunta — o profissional cruza dados clínicos, exames e histórico para definir o quadro.
Fatores como prematuridade, falta de oxigenação no nascimento e icterícia severa podem estar associados, mas não são determinantes por si sós.
Tratamento: multiprofissional e personalizado
Não há cura para a lesão, mas a reabilitação transforma a capacidade funcional:
- 🏥 Equipe pode incluir fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, ortopedista, psicólogo;
- 🎮 Recursos tecnológicos — videogames adaptados tornam os exercícios mais atraentes e aumentam a adesão ao tratamento;
- 💉 Toxina botulínica — utilizada em casos de espasticidade (rigidez muscular), disponível no SUS conforme indicação;
- ⏰ Quanto mais cedo o acompanhamento começar, melhores são os resultados.
“O mais importante que a família deve buscar é o acompanhamento multiprofissional. Melhorar o que pode ser melhorado e adaptar o que não pode — para dar à criança o máximo de autonomia possível”, reforça o especialista.
Onde buscar ajuda?
- Unidades Básicas de Saúde (encaminhamento);
- Ambulatórios de Neurologia Pediátrica;
- Humap-UFMS e rede de reabilitação do SUS.
*Com informações da assessoria de imprensa do Humap/UFMS





















