
Faturamento previsto para 2026 supera em 1,8% o registrado no ano passado
O Dia das Crianças, que será comemorado na próxima segunda-feira (12), deve movimentar R$ 9,27 bilhões no varejo brasileiro em 2026, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa alta de 1,8% em relação ao ano passado, quando as vendas relacionadas à data somaram R$ 9,11 bilhões. Apesar do avanço, a projeção aponta para um ritmo moderado de crescimento em um cenário de juros elevados e famílias ainda pressionadas pelo endividamento.
Considerado o quarto evento mais importante do calendário do comércio nacional, o Dia das Crianças movimenta não apenas lojas de brinquedos. A data também favorece setores como vestuário, supermercados, alimentação, lazer e outros serviços ligados às comemorações familiares.
De acordo com a CNC, o segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui principalmente brinquedos, deverá responder pela maior fatia do faturamento, com R$ 3,62 bilhões, ou 39% do total previsto.
Na sequência aparecem os hiper e supermercados, com estimativa de R$ 2,63 bilhões em vendas, e o setor de vestuário e acessórios, que deve movimentar aproximadamente R$ 1,35 bilhão.
Data movimenta diferentes setores
Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, o impacto da data ultrapassa o comércio especializado em produtos infantis e alcança atividades relacionadas às comemorações.
Segundo ele, a ocasião costuma aumentar a procura por roupas, calçados, alimentação, restaurantes e estabelecimentos de entretenimento, já que muitas famílias aproveitam o feriado para reunir as crianças e realizar passeios.
A avaliação é semelhante à observada em pesquisas do comércio sul-mato-grossense. Em 2025, levantamento do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS (IPF-MS), em parceria com o Sebrae/MS, estimou que o Dia das Crianças movimentaria R$ 352,37 milhões em Mato Grosso do Sul, considerando presentes e comemorações.
Juros e dívidas limitam crescimento
Apesar da previsão de aumento nas vendas, a CNC aponta que o ambiente econômico deve impedir uma expansão mais forte do consumo.
A taxa média de juros cobrada das pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, enquanto os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) indicam que 82% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida. Do total, 29,9% estão com contas em atraso.
O cenário torna o consumidor mais cauteloso na hora de escolher os presentes e definir quanto poderá gastar.
Para a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF-MS), Regiane Dedé, o desempenho projetado demonstra que as datas comemorativas continuam estimulando o consumo, mesmo diante das restrições financeiras.
Ela avalia que o apelo emocional do Dia das Crianças ajuda a sustentar a procura por produtos infantis, mas que juros elevados, crédito mais caro e o comprometimento da renda mantêm as famílias atentas ao orçamento.
Produtos ficam mais caros
Outro ponto de atenção para consumidores e comerciantes é a alta dos preços dos produtos associados à data. A cesta de itens analisada pela CNC deverá apresentar aumento médio de 6,7% em relação ao ano anterior.
Entre os produtos que tiveram os maiores reajustes estão os chocolates, com alta de 19,3%, videogames, que subiram 11,2%, lanches, com aumento de 8%, e brinquedos, com reajuste de 7,1%.
Com isso, mesmo que o faturamento nominal do comércio avance, parte do crescimento esperado deve ser absorvida pelo aumento dos preços.
Mercado de trabalho ajuda a sustentar consumo
A CNC também considera que o mercado de trabalho continua contribuindo para manter a capacidade de consumo das famílias. Por outro lado, a redução dos juros ao longo de 2026 ocorre de forma gradual e ainda não deve produzir uma aceleração significativa das vendas.
Para o comércio, o Dia das Crianças aparece, portanto, como uma oportunidade importante para o segundo semestre, especialmente para segmentos ligados a brinquedos, roupas, alimentação e lazer.
Em Mato Grosso do Sul, a data também mantém peso relevante para o varejo. No levantamento estadual mais recente disponível, realizado em 2025, 74% dos consumidores entrevistados afirmaram que pretendiam presentear no Dia das Crianças.
A expectativa para 2026 é de que o movimento continue positivo, mas com consumidores mais atentos a preços, formas de pagamento e ao impacto das compras no orçamento familiar.




















