Capital registra 91,7 pontos em setembro, enquanto índice nacional avançou 1,7% no período
A confiança dos empresários do comércio de Campo Grande recuou novamente em setembro e chegou ao menor nível em meses, mantendo a Capital abaixo da faixa considerada de otimismo. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) ficou em 91,7 pontos, uma queda de 1,1% em relação aos 92,7 pontos registrados em agosto. Com o resultado, o indicador permanece abaixo dos 100 pontos, linha que separa avaliações positivas de negativas.
O levantamento é realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisado pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF-MS). Em setembro, a média nacional chegou a 100,2 pontos, 8,5 pontos acima do resultado de Campo Grande.
Na comparação com o mesmo mês de 2025, a diferença também chama atenção. Enquanto o ICEC nacional apresentou alta de 1,7%, passando a indicar uma melhora na confiança dos empresários, Campo Grande registrou queda de 5%, de 96,5 para 91,7 pontos.
Empresários veem economia com pessimismo
A percepção sobre o cenário econômico atual ajuda a explicar o resultado. Mais de 90% dos empresários entrevistados em Campo Grande avaliaram que a economia brasileira piorou muito ou piorou um pouco na comparação com o ano anterior.
A avaliação sobre o próprio comércio também permanece desfavorável, indicando que os empresários ainda enfrentam um ambiente de negócios marcado por cautela e dificuldades para ampliar investimentos.
Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, o cenário exige planejamento, principalmente diante da proximidade do período de maior movimentação do varejo.
A expectativa é que datas como a Black Friday e o Natal possam ajudar a impulsionar as vendas nos últimos meses do ano, mas os empresários precisam conciliar o aumento da demanda com controle de custos e gestão financeira.
Bens não duráveis têm menor confiança
Entre os segmentos pesquisados, o menor índice foi registrado no comércio de bens não duráveis, que reúne atividades como supermercados, farmácias e estabelecimentos ligados ao consumo básico. O indicador ficou em 88 pontos.
O resultado mostra uma postura mais cautelosa justamente entre empresas que dependem diretamente do consumo cotidiano das famílias.
Já o comércio de produtos semiduráveis, como roupas, calçados e acessórios, apresentou a melhor pontuação entre os segmentos, com 95,7 pontos, após recuperação em relação a agosto.
O setor de bens duráveis, que reúne produtos de maior valor e geralmente mais dependentes de crédito, registrou 92,2 pontos.
Apesar das diferenças entre as atividades, nenhum dos três segmentos alcançou a marca de 100 pontos.
Expectativas para o fim do ano são melhores
Se a avaliação sobre o momento atual é negativa, a perspectiva para os próximos meses é mais otimista. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) alcançou 118,2 pontos, permanecendo acima da linha de neutralidade.
O resultado indica que, apesar das dificuldades enfrentadas atualmente, os empresários esperam melhora nas vendas e nas condições dos negócios durante o último trimestre do ano.
A proximidade da Black Friday e do Natal contribui para esse cenário. As duas datas tradicionalmente aumentam o fluxo de consumidores e a demanda por produtos e serviços.
O indicador de intenção de contratação também ficou em território positivo, com 115,3 pontos. Já o índice de investimento registrou 99,6 pontos, praticamente na faixa de neutralidade, sinalizando que os empresários ainda evitam ampliar os investimentos de forma significativa.
Comércio entra no fim do ano com cautela
Para a economista do IPF-MS, Regiane Dedé, os números mostram que o empresário de Campo Grande mantém uma postura mais conservadora diante do cenário econômico, principalmente nos setores relacionados ao consumo essencial.
Ao mesmo tempo, a expectativa positiva para o último trimestre indica que as empresas enxergam nas datas sazonais uma oportunidade para recuperar parte da confiança perdida ao longo do ano.
A combinação entre maior movimento no comércio e cautela nos investimentos deve exigir dos empresários atenção especial ao controle de custos, aos estoques e ao fluxo de caixa.
O cenário também reforça a importância de preparar as empresas para o aumento sazonal da demanda sem comprometer a saúde financeira dos negócios. A expectativa é que o desempenho das vendas de Black Friday e Natal possa contribuir para uma recuperação gradual da confiança do comércio de Campo Grande nos próximos meses.
A pesquisa ICEC mede mensalmente a percepção dos empresários do comércio sobre as condições atuais da economia e do setor, além das expectativas para os meses seguintes e da disposição para contratar e investir. A Fecomércio MS utiliza os dados da CNC para acompanhar o comportamento do varejo na Capital.





















