Calor e novos hábitos elevam consumo de energia nas residências brasileiras

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(Foto: Reprodução/Freepik)

Uso mais frequente de ar-condicionado e expansão do trabalho em casa estão entre os fatores que pressionam a demanda

O uso mais frequente do ar-condicionado, a popularização do trabalho remoto e a recarga de veículos elétricos estão entre os fatores que ajudam a explicar o aumento da demanda por eletricidade nas casas brasileiras. Em agosto de 2026, o consumo médio residencial alcançou o maior patamar do século XXI e voltou a se aproximar do recorde registrado em dezembro de 1998.

A trajetória do consumo doméstico passou por mudanças importantes nas últimas décadas. No início dos anos 2000, a crise energética, marcada por apagões e pelo racionamento de eletricidade em 2001 e 2002, provocou uma queda expressiva no uso de energia pelas famílias.

Na época, as projeções indicavam que o consumo voltaria aos níveis anteriores à crise por volta de 2010. A recuperação, porém, foi mais lenta do que o esperado e levou quase três décadas para se aproximar daquele patamar.

Hábitos de consumo mudaram

Apesar da retomada do consumo, especialistas avaliam que o aumento não significa necessariamente desperdício de energia. A evolução tecnológica permitiu que as famílias incorporassem novos equipamentos ao cotidiano, enquanto aparelhos mais eficientes ajudaram a reduzir o gasto por unidade de uso.

“Isso não é um dado negativo. Ao contrário, é um dado positivo, porque o consumidor residencial passou a ser mais racional no consumo de energia elétrica”, afirma Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o especialista, o crescimento ocorreu dentro de um padrão considerado normal, com a utilização de equipamentos que consomem menos eletricidade em comparação com modelos antigos.

Mesmo com os avanços, a demanda das residências continua aumentando. Um dos motivos é a ocorrência de ondas de calor mais intensas, que levam os moradores a utilizar o ar-condicionado por períodos prolongados.

O trabalho remoto também contribui para essa mudança, já que parte do consumo de energia que antes ocorria em escritórios passou a ser registrada nas residências. Outro fator é a expansão dos imóveis destinados à hospedagem por plataformas digitais, que podem apresentar padrões de utilização de eletricidade diferentes daqueles de uma casa ocupada permanentemente pelos mesmos moradores.

A popularização dos veículos elétricos também começa a influenciar as contas domésticas. Com a recarga feita em casa, uma parcela do gasto que antes era destinada ao abastecimento nos postos passa a aparecer na fatura de energia elétrica.

Como economizar energia em casa

Mesmo com a ampliação do uso de equipamentos elétricos, medidas simples podem ajudar a controlar o consumo e evitar desperdícios.

O engenheiro Márcio Américo, especialista em eficiência energética, destaca que a instalação de equipamentos modernos precisa ser acompanhada de hábitos adequados de utilização.

Ele cita como exemplo os sensores de presença, que permitem acionar a iluminação apenas quando há pessoas no ambiente. O recurso perde parte de sua utilidade quando as luzes permanecem acesas mesmo com o espaço vazio.

Entre as principais recomendações para reduzir o consumo estão:

  • Priorizar lâmpadas de LED: elas são mais eficientes e consomem menos energia do que as lâmpadas incandescentes.
  • Escolher aparelhos de ar-condicionado eficientes: antes da compra, é importante consultar a etiqueta de eficiência energética e dar preferência aos modelos mais econômicos, considerando a classificação vigente e o selo Procel.
  • Manter a geladeira em local ventilado: evitar a proximidade com fontes de calor e garantir espaço para a circulação de ar ajuda no funcionamento adequado do equipamento.
  • Evitar luzes acesas sem necessidade: apagar a iluminação de ambientes desocupados reduz o desperdício.
  • Usar o ar-condicionado de forma consciente: manter portas e janelas fechadas durante o funcionamento e ajustar a temperatura para um nível confortável ajuda a conter o gasto.

Matriz elétrica brasileira é majoritariamente renovável

O cenário atual também apresenta diferenças em relação à crise energética do início dos anos 2000. A composição da matriz elétrica brasileira mudou, com a expansão de fontes renováveis, especialmente a energia solar e a eólica.

De acordo com Nivalde de Castro, essas fontes ganharam espaço na geração de eletricidade e apresentam a vantagem de serem renováveis e terem baixas emissões de poluentes durante a operação.

Márcio Américo também destaca a participação expressiva das fontes renováveis na matriz elétrica do país e avalia que o sistema brasileiro conta com uma estrutura integrada de transmissão e distribuição de energia.

A expansão do consumo residencial, entretanto, reforça a importância do planejamento do setor elétrico e do uso eficiente da eletricidade. Com mais equipamentos nas casas e novas formas de utilização da energia, o desafio passa a ser atender à demanda crescente sem ampliar desnecessariamente os custos para os consumidores e os impactos ambientais.