Associação Comercial de Campo Grande cita pesquisa em que 84,7% dos empresários relatam dificuldade para contratar e 44,8% dizem que precisarão ampliar equipes com a mudança
A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado Federal acendeu um alerta entre empresários de Campo Grande. A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) avalia que a mudança pode elevar os custos operacionais, pressionar principalmente os pequenos negócios e exigir novas contratações em um cenário de dificuldade para encontrar trabalhadores.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada em dois turnos pelo Senado na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e um contrário. O texto prevê a substituição da escala de seis dias de trabalho por um de descanso por um modelo com dois dias de folga remunerada por semana, além da redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. A proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
Para a ACICG, a mudança exige uma avaliação mais ampla dos impactos sobre as empresas e deveria ser acompanhada de diálogo entre o poder público, representantes dos trabalhadores e o setor produtivo.
“É mudança estrutural na jornada de trabalho, com impactos diretos sobre a organização das empresas e o funcionamento da economia, isso exige responsabilidade, diálogo e uma avaliação aprofundada de suas consequências”, afirma o presidente da entidade, Omar Aukar.
Pesquisa aponta dificuldade para contratar
Um levantamento realizado pela ACICG com 105 empresários de diferentes segmentos de Campo Grande ajuda a dimensionar o desafio apontado pela entidade. Segundo a pesquisa, 84,7% dos entrevistados afirmaram enfrentar dificuldades para contratar mão de obra.
Além disso, 44,8% disseram que precisarão ampliar as equipes para manter o funcionamento das empresas em uma escala 5×2. Entre os empresários que preveem novas contratações, 38,3% estimam que o quadro de funcionários terá de crescer entre 6% e 10%.
O levantamento também identificou que 57,1% das empresas consultadas utilizam atualmente a escala 6×1, enquanto 10,5% adotam esse modelo parcialmente.
Na avaliação da associação, os dados mostram que a adaptação poderá ser mais difícil para atividades que dependem de equipes presenciais e horários de funcionamento contínuos, além de micro e pequenas empresas com menor margem financeira para absorver despesas adicionais.
Empresários temem repasse de custos
A ACICG avalia que a redução da jornada pode exigir a contratação de mais funcionários para manter o mesmo nível de atendimento. Em alguns segmentos, a dificuldade para recompor as equipes poderia levar à redução do horário de funcionamento ou à limitação dos serviços oferecidos.
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de aumento dos preços de produtos e serviços, caso parte dos custos adicionais seja repassada aos consumidores. A entidade também cita possíveis reflexos sobre investimentos, competitividade e geração de empregos.
“Também existe o risco de que parte desses custos seja repassada aos preços de produtos e serviços, com reflexos para os consumidores, além de possíveis impactos sobre investimentos e novas contratações”, considera Aukar.
Na pesquisa da associação, 28,6% dos empresários apontaram o aumento dos custos operacionais como principal preocupação diante de uma eventual mudança na escala. Outros 24,8% citaram a possibilidade de redução da produtividade, enquanto 20% afirmaram que precisariam contratar novos colaboradores.
Entidade defende diálogo na regulamentação
A associação defende que a implementação das novas regras considere as diferenças entre os setores econômicos e a capacidade de adaptação das empresas. Para a entidade, atividades como comércio, saúde, segurança, transporte e serviços condominiais precisam de planejamento para reorganizar escalas e garantir a continuidade do atendimento.
A ACICG afirma que melhorar as condições de trabalho é uma pauta relevante, mas sustenta que a transição deve ser planejada para evitar impactos negativos sobre os pequenos negócios e o mercado de trabalho.
“É necessário avaliar os impactos sobre a sustentabilidade das empresas, a manutenção e a criação de empregos, a competitividade e a continuidade dos serviços essenciais à população”, conclui o presidente.
A proposta aprovada pelo Senado prevê uma transição gradual: a jornada máxima semanal será reduzida inicialmente para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas, mantendo os salários. A mudança também estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, com preferência para que um deles seja no domingo.





















