País tinha 5,6 milhões de pessoas sem trabalho entre julho e setembro. Número de ocupados chegou a 103,6 milhões, recorde da série histórica do IBGE
O mercado de trabalho brasileiro chegou ao terceiro trimestre de 2026 com o menor índice de desemprego para esse período em 14 anos. A taxa de desocupação caiu para 5,2% entre julho e setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma melhora em relação aos trimestres anteriores e ocorre em meio a um recorde no número de pessoas ocupadas no país.
O índice recuou 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em junho, quando estava em 5,4%. Na comparação com o mesmo período de 2025, a queda foi de 0,4 ponto percentual. Naquele ano, a taxa havia chegado a 5,6%.
Em números absolutos, o Brasil tinha 5,6 milhões de pessoas desocupadas no período. O contingente representa uma redução de 234 mil pessoas, ou 4%, em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, a diminuição foi de 417 mil pessoas, equivalente a 6,9%.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), que acompanha as condições do mercado de trabalho brasileiro.
Número de pessoas trabalhando bate recorde
Enquanto o desemprego recuou, a quantidade de brasileiros ocupados chegou a 103,6 milhões, o maior número desde o início da série histórica, em 2012.
O contingente cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior, com a entrada de 581 mil pessoas no mercado de trabalho. Na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço foi de 1,2 milhão de trabalhadores.
O nível de ocupação, que representa a proporção de pessoas trabalhando entre aquelas em idade de trabalhar, também alcançou um recorde, chegando a 59%.
Entre as atividades econômicas, a construção civil se destacou. O setor registrou crescimento de 2,8% na ocupação, o equivalente a 210 mil trabalhadores a mais em três meses.
O número de empregadores também atingiu o maior patamar da série, com 4,5 milhões de pessoas. O resultado representa aumento de 4,3% no trimestre, com mais 184 mil empregadores, e de 6,4% em um ano.
No setor público, o total de trabalhadores chegou a 13,2 milhões, também recorde. O contingente ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas cresceu 2,5% na comparação anual.
Emprego com carteira assinada fica estável
Apesar do avanço no total de pessoas ocupadas, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado permaneceu praticamente inalterado.
Segundo o IBGE, o país tinha 39,4 milhões de empregados formais no setor privado, sem contar os trabalhadores domésticos. O resultado ficou estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2025.
Também não houve variação significativa entre os trabalhadores sem carteira assinada, estimados em 13,7 milhões, e os profissionais que trabalham por conta própria, que somavam 26,1 milhões.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores.
De acordo com o analista do IBGE William Kratochwill, a estabilidade em alguns segmentos pode estar relacionada à cautela de empresas e empregadores diante das incertezas do período eleitoral.
Renda média chega a R$ 3.790
O rendimento real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 3.790 no terceiro trimestre. O valor permaneceu estável em relação aos três meses anteriores, mas apresentou crescimento de 3,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, um acréscimo de R$ 131.
Já a massa de rendimento real habitual, que corresponde à soma dos salários e demais rendimentos recebidos pelos trabalhadores, alcançou R$ 387,5 bilhões. O valor é o maior da série histórica.
Na comparação trimestral, houve crescimento de 1,5%, com acréscimo de R$ 5,6 bilhões. Em um ano, a expansão foi de 4,7%, o equivalente a R$ 17,5 bilhões.
Subutilização atinge 14,8 milhões de pessoas
Outro indicador acompanhado pelo IBGE é a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que considera não apenas os desempregados, mas também pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e aquelas disponíveis para trabalhar, mas que não procuraram emprego ou não estavam disponíveis no período da pesquisa.
No terceiro trimestre, esse índice ficou em 13%, praticamente estável em relação ao trimestre anterior, quando estava em 12,9%. Na comparação anual, houve redução de 0,9 ponto percentual.
A população subutilizada somou 14,8 milhões de pessoas, número semelhante ao registrado no trimestre anterior. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, porém, houve queda de 6,1%, o equivalente a 957 mil pessoas.
A próxima divulgação da PNAD Contínua, referente ao trimestre encerrado em outubro, está prevista para 27 de novembro.





















