Lula prepara reforma nos ministérios e terá de negociar espaço com partidos do Centrão

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(Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação Lula)

Novo governo deve reunir aliados que disputaram eleições, nomes fortalecidos na campanha e integrantes da atual Esplanada

A reformulação dos ministérios para o próximo mandato deve ser uma das primeiras tarefas políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a vitória nas eleições. A montagem da nova equipe envolve a possibilidade de trazer de volta aliados que deixaram o governo para disputar cargos, acomodar nomes que ganharam destaque durante a campanha e renegociar o espaço dos partidos de centro na Esplanada.

A mudança não deve se limitar à escolha de novos ministros. Integrantes que permanecerem no governo também poderão trocar de pasta, em uma reorganização que busca combinar confiança política, articulação no Congresso e participação de aliados que tiveram papel importante na campanha de reeleição.

A Esplanada já passou por uma mudança expressiva neste ano. Entre março e abril, 18 ministérios tiveram troca de comando, principalmente porque os antigos titulares deixaram os cargos para concorrer às eleições. Na maioria dos casos, Lula escolheu integrantes das próprias equipes para assumir as pastas.

Agora, o presidente terá de decidir o que fazer com os aliados que não conseguiram se eleger. Entre eles estão Fernando Haddad, que disputou o governo de São Paulo; Renan Filho, candidato ao governo de Alagoas; e Simone Tebet, Marina Silva, Gleisi Hoffmann e Carlos Fávaro, que concorreram ao Senado. Márcio França disputou como vice em uma chapa paulista, enquanto Paulo Teixeira concorreu à Câmara dos Deputados e ficou na suplência.

Outros ex-integrantes do governo conseguiram se eleger. Rui Costa e André Fufuca conquistaram vagas no Senado, enquanto Jader Filho, Silvio Costa Filho, Anielle Franco e Sônia Guajajara foram eleitos deputados federais.

Camilo Santana, que deixou o Ministério da Educação para participar das articulações eleitorais, não disputou o pleito. Senador, ele ganhou visibilidade na campanha e passou a ser apontado como um dos nomes com maior possibilidade de assumir uma função estratégica no próximo governo.

Negociação com partidos de centro

A distribuição dos ministérios entre os partidos aliados também deve pesar na montagem da nova equipe. No governo atual, MDB, PSD, PP e Republicanos ocupavam sete das 38 pastas, enquanto o PT tinha 11 representantes.

O PSD estava representado por Carlos Fávaro, Alexandre Silveira e André de Paula. O MDB tinha Jader Filho e Renan Filho. André Fufuca ocupava uma pasta pelo PP, e Silvio Costa Filho representava o Republicanos.

A composição pode mudar após o resultado das eleições. PP, União Brasil e Republicanos apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mas lideranças dessas legendas já demonstraram interesse em manter canais de diálogo com o Palácio do Planalto.

A dúvida é se Lula manterá o espaço desses partidos na Esplanada ou se aproveitará a reforma para cobrar compromissos mais firmes de apoio ao governo no Congresso Nacional. A definição será importante para garantir sustentação política às propostas do próximo mandato. Noticias R7

Casa Civil e Fazenda estão entre as pastas mais disputadas

A Casa Civil e o Ministério da Fazenda aparecem entre os principais focos das articulações. Atualmente, as pastas são comandadas por Miriam Belchior e Dario Durigan, respectivamente.

Camilo Santana é apontado como um dos nomes cotados para a Casa Civil, considerado um posto central na coordenação do governo e na relação com o Congresso. Fernando Haddad também aparece nas conversas, embora tenha perdido força na disputa interna. Rui Costa, por sua vez, busca continuar em uma posição de destaque na administração federal.

Na Fazenda, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a ser mencionado como uma possibilidade. Ele tem experiência na área econômica e participou das articulações da campanha presidencial no segundo turno.

Fonteles, porém, negou ter conversado com Lula ou com outras pessoas sobre a possibilidade de assumir um ministério. Em publicação nas redes sociais em 29 de outubro, afirmou que não tratou de cargos nem da política econômica do próximo governo. O governador também declarou que pretende tomar posse para o novo mandato no Piauí.

Boulos e Janones também entram nas articulações

Outro nome que ganhou espaço nas especulações é o do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL). Ele é apontado como possível substituto de Wellington Dias no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Uma eventual mudança permitiria que Wellington Dias retornasse ao Senado, onde o governo deverá enfrentar uma oposição fortalecida a partir de 2027, com o PL ocupando a maior bancada da Casa.

André Janones (Avante), deputado federal que participou da mobilização digital em favor de Lula durante o segundo turno, também passou a ser citado nas conversas sobre a nova equipe. Ele ganhou destaque com a organização do chamado “Exército do Lula”, voltado à atuação nas redes sociais.

Apesar do reconhecimento pelo trabalho na campanha, o parlamentar enfrenta resistência entre integrantes da base governista para ocupar um ministério. A expectativa é de que Lula encontre uma forma de reconhecer sua participação, mas ainda não há definição sobre um eventual cargo.

A escolha dos ministros deve avançar nas próximas semanas, em meio às conversas com partidos, aliados e integrantes da equipe atual. Além de definir quem entra e quem sai, Lula terá de decidir como distribuir o espaço político entre os grupos que contribuíram para sua reeleição e aqueles que serão importantes para sustentar o governo no Congresso.