Senadora de Mato Grosso do Sul busca votos no Centrão e na oposição para enfrentar Davi Alcolumbre e Rogério Marinho; eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027
A disputa pelo comando do Senado em 2027 começa a ganhar força nos bastidores de Brasília, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) tenta ocupar um espaço entre os dois principais grupos que se movimentam pela presidência da Casa. Com conversas entre parlamentares do Centrão, da oposição e integrantes da bancada feminina, a sul-mato-grossense trabalha para viabilizar seu nome e alcançar um objetivo histórico: ser a primeira mulher a comandar o Senado.
Ex-ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro (PL), Tereza procura se apresentar como uma alternativa ao atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que pretende continuar no cargo, e ao senador Rogério Marinho (PL-RN), escolhido pelo Partido Liberal para disputar a eleição.
A movimentação ocorre em meio à tentativa de reunir votos de diferentes correntes políticas. Aliados da senadora avaliam que ela tem diálogo com parlamentares do Centrão e também com setores governistas, o que poderia ampliar sua capacidade de negociação em comparação com uma candidatura mais identificada com a oposição.
Um dos movimentos previstos para os próximos dias envolve a bancada feminina. Na terça-feira (10), Alcolumbre receberá senadoras em exercício e parlamentares recém-eleitas para um café da manhã na residência oficial do Senado. O encontro foi organizado pela líder da bancada feminina, Professora Dorinha (União-TO), e acontece justamente quando Tereza busca apoio entre as mulheres da Casa.
Disputa por uma terceira via
A estratégia de Tereza é se consolidar como uma opção para senadores que não desejam a recondução de Alcolumbre, mas também demonstram resistência ao nome de Rogério Marinho.
Na avaliação de aliados, a senadora poderia atrair parlamentares de partidos do Centrão que preferem uma candidatura com maior capacidade de diálogo entre diferentes grupos políticos. A expectativa é que esse espaço permita ampliar sua base e, eventualmente, reunir votos de setores que hoje estão divididos.
Tereza também considera que poderia receber parte dos apoios de Marinho caso o senador do PL decida retirar sua candidatura. Se a situação ocorrer de forma inversa, porém, a avaliação é que os votos conquistados por ela poderiam se dividir entre Marinho e Alcolumbre.
Marinho também busca votos
O PL oficializou Rogério Marinho como candidato à presidência do Senado na quarta-feira (4). O senador afirma contar com pelo menos 40 votos, um a menos que os 41 necessários para vencer a eleição em primeiro turno, considerando a participação dos 81 integrantes da Casa.
O partido terá a maior bancada do Senado, com 29 parlamentares, e conta também com o apoio do Novo, que soma três cadeiras. Apesar da disputa em andamento, Marinho e Tereza afirmam que não pretendem concorrer um contra o outro até o fim do processo.
A expectativa, segundo interlocutores dos dois senadores, é manter as candidaturas por enquanto e reavaliar o cenário a partir da segunda quinzena de janeiro. A ideia seria apoiar quem demonstrar melhores condições de derrotar Alcolumbre.
Marinho já declarou que, no momento adequado, deverá haver uma convergência com Tereza. A senadora, por sua vez, mantém o nome em articulação e pretende continuar buscando apoio antes de qualquer definição.
Alcolumbre tenta fortalecer sua base
Enquanto os dois parlamentares da oposição e do Centrão ampliam as conversas, Alcolumbre também trabalha para garantir votos à reeleição. O atual presidente afirma contar com 48 apoios e procura atrair senadores do PL mais próximos do Centrão.
Uma das movimentações recentes foi a indicação do senador Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar o Orçamento de 2027, função que, segundo informações de bastidores, chegou a ser cogitada para o PP, com Tereza entre os nomes possíveis.
Alcolumbre também deve contar com o apoio de partidos que integram a base do governo federal. Na sexta-feira (6), o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que a orientação é que as legendas governistas atuem em conjunto na eleição, incluindo partidos como PSD e PSB.
A votação para a presidência do Senado é secreta. Por isso, declarações de apoio e acordos partidários não significam necessariamente que os parlamentares seguirão a orientação das siglas no momento de escolher o próximo presidente.
Eleição será em fevereiro
O Senado é formado por 81 parlamentares, e o vencedor precisa obter maioria absoluta dos votos para garantir a presidência em primeiro turno. A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027, na abertura do novo ano legislativo.
Até lá, a tendência é que as articulações continuem, com negociações por cargos, espaços de influência e compromissos políticos. Para Tereza Cristina, o desafio será transformar o discurso de terceira via em apoio suficiente para disputar efetivamente o comando da Casa.





















