Endividamento das famílias chega a 75,5% em Campo Grande, mas inadimplência recua

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Três em cada quatro famílias de Campo Grande estão endividadas

Pesquisa da CNC mostra aumento de 10,1 pontos percentuais no endividamento em um ano; parcela de famílias sem condições de pagar as dívidas caiu de 13,6% para 8%

O número de famílias com algum tipo de dívida voltou a crescer em Campo Grande e chegou a 75,5% em outubro de 2026. Apesar do avanço, os dados mostram um movimento diferente em relação à inadimplência: diminuiu a proporção de consumidores com contas atrasadas e também daqueles que afirmam não ter condições de quitar os débitos.

Os números são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada pela Fecomércio MS. Em outubro do ano passado, 65,4% das famílias da Capital declaravam ter dívidas. Em 12 meses, o indicador subiu 10,1 pontos percentuais.

Na comparação anual, o percentual de famílias com contas em atraso caiu de 29,4% para 27,2%. Já a parcela que declarou não ter condições de pagar as dívidas recuou de 13,6% para 8%.

Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, os indicadores apontam que, mesmo com o aumento do uso do crédito, parte dos consumidores tem conseguido manter os compromissos financeiros em dia.

“Os números mostram que o consumidor de Campo Grande está mais cauteloso do que a média do país na inadimplência, o que é um sinal positivo para o comércio. Por outro lado, o crescimento contínuo do endividamento ao longo do ano pede atenção. O crédito, quando bem utilizado, movimenta a economia e as vendas, mas o orçamento familiar precisa de equilíbrio”, afirmou.

O cartão de crédito aparece como principal modalidade de dívida, citado por 71,8% das famílias endividadas. Depois vêm os carnês, com 14,8%; crédito pessoal, com 13,7%; financiamento de veículos, com 11,9%; e financiamento de imóveis, com 10,9%.

O levantamento também aponta que 43,1% das famílias têm compromissos financeiros com prazo superior a um ano. O percentual indica que uma parcela expressiva dos consumidores continuará comprometida com o pagamento de dívidas por um período prolongado. Em média, 29,7% da renda familiar está destinada a esses pagamentos.

Para a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF-MS), Regiane Dedé, o ritmo de crescimento do endividamento é um dos principais pontos de atenção. Ela observa que, embora os indicadores de inadimplência tenham melhorado, o aumento das dívidas de longo prazo pode pressionar o orçamento das famílias nos próximos meses.

A economista também chama atenção para a diferença entre os dados da Capital e os do país. Em outubro, o endividamento nacional ficou em 81,6%, praticamente estável em relação a setembro, quando havia alcançado 81,7%. No mesmo período, a inadimplência brasileira recuou de 29,6% para 29,3%. CNN Brasil+1

Na avaliação de Regiane, o desafio é impedir que o crescimento das dívidas com vencimentos mais distantes se transforme em atrasos nos pagamentos. O uso do cartão de crédito, que concentra a maior parte dos compromissos financeiros dos consumidores de Campo Grande, também exige atenção ao planejamento do orçamento.

A PEIC é realizada mensalmente pela CNC nas capitais brasileiras e acompanha o nível de endividamento das famílias, as contas em atraso e a capacidade dos consumidores de quitar os compromissos financeiros. Os indicadores são utilizados para avaliar o comportamento do consumo e oferecer informações ao setor do comércio.