13/10/2019 18h27
Por: Redação
Por essa os quase um milhão de campo-grandenses não esperavam: a aposta para vencer a guerra contra a dengue no próximo verão pode ser exatamente o mosquito Aedes aegypti. Sim: é bem provável que depois de conhecerem os fundamentos do Método Wolbachia, os moradores da capital sejam apoiadores do projeto que, em última análise, consiste na liberação de mosquitos que têm em seu organismo uma bactéria que inibe a proliferação dos vírus transmissores da dengue e outras doenças.
A nova tecnologia está sendo introduzida em Mato Grosso do Sul começando por Campo Grande, numa parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde (SES) e Município da capital. Em âmbito mundial o Programa, denominado World Mosquito Program (WMP), vem sendo testado desde 2011 em diversos países como Austrália, Colômbia, Índia, Indonésia e outros.
A assessora técnica da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV-Sesau), Rosana Mercado, usou a Tribuna da Câmara Municipal da Capital, na última terça-feira (8) para falar sobre o Projeto Wolbachia.
De acordo com Rosana Mercado, o Projeto Wolbachia é o mosquito aliado contra a doença. “A wolbachia é uma bactéria naturalmente presente em cerca de 60% dos insetos da natureza como a mosca da fruta, abelha e borboletas, quando inserida no Aedes aegypti reduz a capacidade do mosquito transmitir a dengue, zika e Chikungunya”, explicou.
Segundo Rosana Mercado, o Projeto Wolbachia foi implantado inicialmente no Rio de Janeiro. Foi implantado entre agosto de 2015 e o início de 2016 como projeto piloto no Rio de Janeiro, obteve sucesso na implementação do projeto com mais de 20 mil pessoas envolvidas nas atividades. Com este êxito buscaram parcerias e expandiram o projeto para as cidades de Belo Horizonte, Petrolina e a nossa Capital, Campo Grande”, detalhou.
“A intenção é implantar a bactéria nos ovos do Aedes aegypti, afim de que nasçam modificados e se proliferem, tendo assim uma população de Aedes modificados que seja maior que a população Aedes aegypti normal, minimizando os efeitos da tríplice epidemia”, complementou.
Para esclarecimento da população, Rosana Mercado enfatizou que a bactéria Wolbachia não irá interferir na saúde da população. “Ela é uma bactéria intracelular, tem várias limitações e ela não é transmitida pelo Aedes na sua picada, então ela vai ficar lá dentro do mosquito e não tem contato com o ser humano, é a mesma coisa da abelha, não tem contato com nada”, alegou.
Por fim, Rosana Mercado afirmou que a intenção é buscar alternativas para controlar epidemias na cidade. “Sabemos o quanto é difícil enfrentar uma epidemia e enfrentamos uma epidemia totalmente atípica este ano. Então, buscamos novas formas de combater esse vetor, e a Wolbachia veio para nos auxiliar nisso”, finalizou.





















