Amamentação pode reduzir em 11% risco de doenças cardiovasculares em mulheres, aponta estudo

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(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Além dos benefícios para o bebê, lactação ajuda no controle metabólico, reduz risco de AVC e infarto e protege o coração da mãe

Além dos benefícios já conhecidos para o bebê, a amamentação também representa uma proteção para a saúde da mulher. Estudos citados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que mulheres que amamentam apresentam cerca de 11% menos risco de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação com aquelas que não passam pelo período de lactação.

A relação entre amamentação e menor risco cardíaco está associada às mudanças que ocorrem no organismo durante a produção do leite materno. Segundo a SBC, períodos mais prolongados de amamentação estão ligados a uma redução ainda maior de fatores de risco: cerca de 12% menos chance de acidente vascular cerebral (AVC) e 14% menos risco de infarto.

“Viu-se que a amamentação traz essa proteção para a mulher”, explica a vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, Alexandra Oliveira de Mesquita. Ela ressalta, porém, que não amamentar não significa que a mulher terá maior risco automaticamente para doenças cardiovasculares.

Durante a gravidez, o corpo feminino passa por diversas alterações hormonais e metabólicas para garantir o desenvolvimento do bebê. Entre elas estão o aumento da resistência à insulina e a elevação dos níveis de gorduras e colesterol, especialmente o LDL, conhecido como colesterol ruim.

Já durante a lactação ocorre uma espécie de reorganização metabólica do organismo. A produção de leite ajuda a melhorar o controle da glicose, aumenta a sensibilidade à insulina, utiliza parte da reserva de energia acumulada na gestação e contribui para reduzir riscos relacionados ao diabetes e à hipertensão.

Segundo especialistas, a amamentação também favorece o funcionamento do coração ao diminuir a pressão arterial e reduzir a frequência cardíaca da mãe, fazendo com que o órgão trabalhe com menor esforço para bombear sangue pelo corpo.

Hormônios liberados na amamentação ajudam na proteção do coração

A fase de lactação estimula a liberação de hormônios como ocitocina, prolactina, glicocorticoides, grelina e hormônio do crescimento. Essas substâncias participam de processos que contribuem para a proteção do músculo cardíaco.

Entre eles, a ocitocina, conhecida popularmente como “hormônio do amor”, tem papel importante. De acordo com a cardiologista Alexandra Mesquita, a substância favorece a dilatação dos vasos sanguíneos e melhora a circulação, contribuindo para a saúde das artérias.

“Tudo isso promove uma melhora da função endotelial, que é a função da parede interior das artérias. A liberação de ocitocina nessa fase de lactação faz uma vasodilatação, melhorando a circulação dessa mãe”, explicou a especialista.

A médica destaca ainda que a lactação ajuda a reverter parte das alterações metabólicas provocadas pela gravidez, reduzindo fatores que podem contribuir para o surgimento de doenças cardiovasculares no futuro.

Doenças cardiovasculares são principal causa de morte entre mulheres

Apesar da importância da prevenção, as doenças cardiovasculares ainda representam uma das maiores ameaças à saúde feminina. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, elas respondem por aproximadamente 33% das mortes entre mulheres, índice superior ao registrado pelo câncer de mama.

“Existe ainda a ideia de que a maior causa de mortalidade feminina é o câncer de mama, mas a doença cardiovascular mata sete vezes mais”, afirma Alexandra Mesquita.

A cardiologista explica que muitos fatores de risco são comuns entre homens e mulheres, como diabetes, pressão alta, sedentarismo, obesidade e alterações no colesterol. No entanto, as mulheres também possuem condições específicas que podem influenciar a saúde do coração.

Entre esses fatores estão menstruação muito precoce ou tardia, menopausa antes dos 45 anos, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, uso de anticoncepcionais hormonais e complicações durante a gravidez, como hipertensão gestacional, diabetes gestacional e nascimento de bebês com baixo peso.

Agosto Dourado reforça importância do aleitamento materno

O Dia Internacional da Amamentação é celebrado neste sábado (1º), dentro da programação do Agosto Dourado, campanha que busca incentivar, proteger e apoiar o aleitamento materno.

Em 2026, a Semana Mundial do Aleitamento Materno tem como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona”, com ações voltadas à promoção da prática como estratégia de saúde para crianças, mães e comunidades.

Além da proteção cardiovascular, a pediatra Carmen Elias, idealizadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica (Idomed), destaca outros benefícios da amamentação, como proteção contra doenças, recuperação no pós-parto, fortalecimento do vínculo entre mãe e filho, desenvolvimento infantil e prevenção de alguns tipos de tumores.

A especialista também cita vantagens como melhor formação da dentição, adaptação alimentar, planejamento familiar e economia para as famílias, já que o leite materno dispensa a compra de fórmulas e suplementos infantis.