Após redução da Selic, ata do Copom vira foco de investidores e economistas

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(Foto: Marcelo Casal Jr AB)

Corte de 0,25 ponto percentual era esperado, mas comunicação da autoridade monetária gerou incertezas sobre novas reduções da Selic

Depois do corte da taxa básica de juros para 14,25% ao ano, o foco do mercado financeiro se volta agora para um documento considerado decisivo para entender os próximos passos da política monetária brasileira. A ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para ser divulgada nesta terça-feira (23), deve trazer esclarecimentos sobre as sinalizações dadas pelo Banco Central e que provocaram dúvidas entre investidores e analistas.

Embora a redução de 0,25 ponto percentual da Selic já fosse amplamente esperada, o comunicado divulgado após a reunião acabou gerando interpretações divergentes sobre o futuro da condução dos juros no país. A reação foi imediata: as taxas dos contratos de longo prazo avançaram e aumentaram as incertezas em relação ao ritmo dos próximos movimentos da autoridade monetária.

Entre os pontos mais aguardados da ata está a explicação sobre o chamado horizonte relevante da inflação, indicador utilizado pelo Banco Central para avaliar o cumprimento da meta oficial, atualmente fixada em 3%.

Parte do mercado interpretou que o Copom estaria disposto a trabalhar com um prazo mais longo para levar a inflação ao objetivo estabelecido, mesmo diante de projeções ainda consideradas elevadas para os próximos anos.

Para o economista-chefe da Sicredi Asset, Filipe Stona, a principal expectativa é que o documento reforce o compromisso da instituição com a convergência da inflação dentro do prazo adotado pelo Banco Central.

Já o economista Carlos Lopes, do Banco BV, avalia que a ata deverá detalhar os fatores que justificaram a continuidade do ciclo de cortes da Selic, apesar de um ambiente econômico ainda marcado por pressões inflacionárias.

Segundo ele, o comunicado divulgado após a reunião deixou em aberto questões importantes sobre a continuidade da flexibilização monetária, sem indicar de forma clara se novos cortes devem ocorrer ou se haverá uma pausa nas próximas decisões.

Comunicação gera questionamentos

A avaliação predominante entre especialistas é que o desconforto do mercado esteve mais relacionado à forma como a decisão foi comunicada do que propriamente ao corte dos juros.

Como a redução já era amplamente prevista pelos agentes financeiros, a expectativa era de que o Banco Central apresentasse argumentos mais detalhados para sustentar sua estratégia.

Para Peterson Rizzo, responsável pela área de Relações com Investidores da Multiplike, a ausência de explicações mais robustas abriu espaço para diferentes interpretações sobre a postura futura da autoridade monetária.

Dúvidas podem continuar

Apesar da expectativa em torno do documento, parte dos economistas acredita que a ata, sozinha, pode não ser suficiente para encerrar o debate.

Analistas apontam que a compreensão mais completa da estratégia do Banco Central dependerá também das informações que serão apresentadas no Relatório de Política Monetária e em futuras entrevistas da diretoria da instituição.

Além disso, o cenário de inflação ainda resistente e a demanda interna aquecida têm levado o mercado a enxergar menos espaço para novas reduções da Selic nos próximos meses.

Na avaliação da economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, os próprios fatores destacados pelo Banco Central indicam um ambiente que exige cautela, reduzindo a margem para cortes mais intensos nos juros.

Com isso, a ata do Copom passa a ser vista como um dos principais instrumentos para esclarecer a estratégia da autoridade monetária e orientar as expectativas dos investidores sobre o comportamento da economia brasileira ao longo dos próximos meses.