Publicado em 26/07/2018 14h35
Brics avançam em agenda proposta pelo Brasil
Por Redação
Depois de dois dias de reunião de chefes de Estado e governo em Joanesburgo, a 10ª Cúpula do Brics – grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – termina com duas importantes conquistas para o setor produtivo brasileiro. A primeira é um acordo para a abertura de um escritório regional do banco do Brics, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), no Brasil. A segunda é uma cooperação entre as economias do bloco na área de aviação regional.
Na avaliação da indústria, representada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), os acordos são importantes para fomentar negócios e ampliar investimentos entre os países. “O Brasil adotou uma estratégia pragmática. Esses acordos têm potencial para ampliar o investimento em infraestrutura no país e criar oportunidades de exportação no setor aeronáutico”, disse o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.
Escritório no Brasil
A criação do NDB foi formalizada em 2014, durante a sexta reunião de cúpula do grupo, em Fortaleza. O banco do Brics foi inaugurado em julho de 2015, com sede em Xangai, com o objetivo de financiar projetos de infraestrutura de países do bloco e de outras economias em desenvolvimento. Agora, a expectativa é que o escritório regional das Américas seja inaugurado no Brasil ainda em 2018.
Para a CNI, o novo escritório estreitará as relações do banco dos Brics com o setor privado brasileiro. Na prática, essa aproximação contribuirá para que as empresas busquem financiamento para projetos de infraestrutura voltados ao desenvolvimento sustentável.
Aviação regional
Os países do Brics também assinaram um memorando de entendimento para fomentar a aviação regional. A partir desse documento, que vinha sendo trabalhado há dois anos, os países podem desenvolver projetos para ampliar as oportunidades de negócios. A CNI considera que, como quatro dos cinco países do grupo são continentais, o seu mercado para voos domésticos oferece potencial para as exportações brasileiras de aeronaves, por exemplo.
Postura pragmática
A CNI avalia que os acordos fechados em Joanesburgo resultam de uma postura pragmática do governo e do setor privado brasileiros. Geralmente, reuniões como a do Brics são marcadas pela adoção de documentos e medidas de caráter mais político do que econômico.
Os acordos também são fruto dos trabalhos do Conselho Empresarial do Brics, criado em 2013. Secretariado pela CNI e liderado pela Embraer, esse conselho coordena esforços do governo e dos empresários para a criação de oportunidades reais de negócios.
Agenda de acordos
Mesmo com os avanços, a indústria brasileira defende a elaboração de uma agenda mais consistente na área comercial e de investimentos. O Brasil, por exemplo, ainda não assinou acordo de investimentos com nenhum país dos Brics.
Em 2019, o Brasil sediará, pela terceira vez, a reunião de cúpula dos Brics. A expectativa é que o encontro permita o avanço nessa agenda mais pragmática de acordos. “O novo governo brasileiro terá uma oportunidade única de avançar a agenda de acordos com os demais países do bloco. As prioridades são os acordos de investimento e a expansão do acordo comercial do Mercosul com a união aduaneira liderada pela África do Sul”, disse Abijaodi.
Facilitação de viagens
Uma outra pauta defendida pela indústria brasileira é a de facilitação de viagens de negócios entre os países do Brics. Hoje, não há uma harmonização a respeito do assunto, uma vez que cada país define a sua política de visto com os demais.
O Brasil, por exemplo, tem isenção de visto de negócios para a África do Sul e a Rússia, para visitas de até 90 dias. No caso da China, há a exigência de visto, que dura cinco anos e permite múltiplas entradas. No caso da Índia, o visto é eletrônico e permite a estadia por 60 dias, mas apenas duas entradas.











