Café e Diálogo reúne mulheres para refletir sobre direitos e enfrentamento à violência

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Foto: Divulgação

Direitos conquistados ao longo de décadas, histórias de vida e desafios que ainda fazem parte da realidade de muitas mulheres deram o tom do evento “Café e Diálogo: reflexão, escuta e fortalecimento da proteção às mulheres”, realizado nesta quinta-feira, 5 de novembro, no auditório da Escola Judicial de MS (Ejud-MS). Promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o encontro reuniu magistradas, profissionais do sistema de Justiça e representantes de instituições da rede de proteção.

A programação contou com a palestra “Direitos Humanos e Enfrentamento da Violência Doméstica”, ministrada pela advogada e professora Andréa Flores, que, a partir de uma perspectiva histórica, abordou a trajetória dos direitos das mulheres, as origens da misoginia e as mudanças na legislação brasileira, especialmente após a criação da Lei Maria da Penha, em 2006.

O direito ao voto, o acesso à educação e ao trabalho e a igualdade garantida pela Constituição são conquistas que resultaram de décadas de mobilização feminina. Essa trajetória foi lembrada pela desembargadora Sandra Regina Artioli, responsável pela Coordenadoria da Mulher, durante a abertura do encontro.

“Muitos direitos nos parecem naturais: votar e ser votada, estudar, trabalhar e ter a igualdade entre homens e mulheres garantida pela Constituição. Mas eles não nos foram dados. Foram conquistados, com muita luta, por mulheres que vieram antes de nós. Essa luta continua”, afirmou.

Apesar dos avanços na legislação, o direito de viver sem violência ainda está distante da realidade de muitas mulheres. A questão também foi abordada pela desembargadora, que aproveitou a ocasião para apresentar um balanço das atividades da Coordenadoria em 2026, com destaque para os projetos Papo de Respeito e Clarisse me Disse, os programas Fortalecimento de Rede, Dialogando Igualdades e Protocolo Ipê Lilás, além do Conecta Promuse, desenvolvido em parceria com a Polícia Militar.

Para a advogada e professora Andréa Flores, compreender as raízes da discriminação e da violência é fundamental para enfrentar esses problemas de maneira mais eficaz. Este foi o ponto de partida da palestra, que percorreu a história das mulheres, abordando a influência do patriarcado e do machismo na sociedade, a luta pela conquista de direitos e os avanços da legislação no enfrentamento à violência doméstica.

“Esse momento é para que a gente fale da história das mulheres, dos direitos que foram conquistados, mas, acima de tudo, para que a gente entenda de onde vem a misoginia e de onde vem a violência contra a mulher. Porque assim a gente consegue atacar de uma forma mais certeira”, explicou Andréa Flores.

A importância da união entre as mulheres também esteve entre as reflexões da palestra, especialmente pelo papel que desempenha na conquista de direitos e no enfrentamento à violência. “Nós temos uma força muito grande quando ficamos juntas”, afirmou a professora.

Após a palestra, o encontro deu lugar a uma roda de conversa, na qual as participantes puderam compartilhar experiências, expressar opiniões e refletir sobre os temas abordados. O diálogo foi enriquecido por relatos de situações vivenciadas tanto no ambiente profissional quanto na vida pessoal, proporcionando uma troca de experiências e diferentes perspectivas sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no dia a dia.