Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro pedem ao TSE votação até as 19h

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(Montagem - Ricardo Stuckert/Campanha Lula e Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro)

Coligação do presidente cita problemas no transporte público, enquanto senador aponta chuvas, alagamentos e deslizamentos em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina

A possibilidade de estender a votação do segundo turno das eleições presidenciais até as 19h chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (25), após pedidos das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). As duas candidaturas alegam que situações que fogem ao controle dos eleitores podem dificultar o acesso às urnas, mas apresentam motivos diferentes para justificar a prorrogação.

A coligação de Lula aponta problemas no transporte público, com relatos de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento em diferentes regiões do país. Já o pedido apresentado por Flávio Bolsonaro se concentra em municípios atingidos por chuvas fortes, alagamentos, deslizamentos de terra e bloqueios de estradas.

As solicitações foram encaminhadas ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Até a divulgação das informações consultadas, não havia decisão definitiva sobre a ampliação do horário. Em entrevista neste domingo, o ministro afirmou que os pedidos seriam analisados.

Campanha de Lula cita falta de ônibus

O primeiro pedido da coligação de Lula foi protocolado às 13h22 e solicitava a extensão do horário de votação em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.

Mais tarde, às 15h42, a campanha ampliou a solicitação para municípios de outros estados, incluindo São Paulo, Paraná, Piauí, Paraíba, Pará, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco e Roraima. O documento também pede que a medida alcance outras localidades onde sejam constatados problemas semelhantes no transporte de eleitores.

Entre os episódios relatados estão ônibus retidos em garagens de Salvador e dificuldades para garantir o deslocamento de eleitores indígenas em Roraima. Em São Paulo, a campanha afirma que parte da frota de transporte coletivo deixou de circular, prejudicando quem depende dos ônibus para chegar às seções eleitorais.

Além da prorrogação, a coligação pediu medidas para assegurar a circulação do transporte gratuito e a responsabilização de pessoas que, segundo a petição, tenham dificultado o exercício do voto.

Durante uma conversa com jornalistas em frente à própria casa, na capital paulista, Lula criticou a redução da oferta de ônibus e pediu que os eleitores não desistissem de votar.

“Ninguém pode desistir de votar”, afirmou o presidente, ao criticar empresários e gestores que, segundo ele, teriam contribuído para dificultar o acesso às urnas.

Flávio aponta impactos das chuvas

O pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro foi protocolado às 15h27 e cita 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Em São Paulo, a lista inclui a capital, Jundiaí, Itapevi, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Itapetininga, Botucatu, Apiaí, Ribeira e Iporanga. No Paraná, foram mencionadas Curitiba e Guaratuba. Em Santa Catarina, o documento cita Tijucas, Videira, Trombudo Central, Joaçaba e Águas de Chapecó.

Os advogados atribuem os transtornos à passagem de uma frente fria e à atuação de um ciclone extratropical. A petição menciona alertas de risco emitidos por órgãos de monitoramento e ocorrências que teriam afetado o deslocamento dos eleitores.

Um dos casos citados é o de Jundiaí, onde, segundo o documento, foram registrados 80 milímetros de chuva em 12 horas. Duas mulheres morreram após serem arrastadas pela correnteza enquanto tentavam atravessar uma rua durante a madrugada.

Em Itapevi, o alagamento de uma escola levou à transferência de 446 eleitores para outro local de votação. Na capital paulista, pontos da Marginal Tietê ficaram intransitáveis durante a manhã. A petição também menciona transbordamentos de córregos e imóveis interditados por causa de deslizamentos.

No Paraná, chuvas intensas provocaram bloqueios em rodovias e deslizamentos. Segundo o documento, o Tribunal Regional Eleitoral do estado precisou alterar os locais de votação de 3.745 eleitores em Curitiba e Guaratuba.

Em Santa Catarina, a campanha relatou falta de energia em quatro cidades e eleitores isolados em Águas de Chapecó, que precisaram ser resgatados. Os advogados argumentam que, mesmo que os problemas não tenham atingido todas as seções, as dificuldades localizadas justificariam medidas para garantir o direito ao voto.

Pedido prevê alternativas

Caso a extensão do horário não seja autorizada de forma ampla, a campanha de Flávio Bolsonaro pede que a medida seja aplicada ao menos nos locais de votação transferidos por causa das chuvas. Outra alternativa apresentada é permitir que juízes eleitorais dos três estados ampliem o período de votação por até duas horas nas seções afetadas.

A petição também solicita que a divulgação dos resultados da eleição presidencial só comece após o encerramento das últimas seções abrangidas pela eventual prorrogação. O candidato ainda pede que eleitores impedidos de votar por causa das condições climáticas possam justificar a ausência sem pagamento de multa.

Os advogados afirmam que a solicitação não busca favorecer nenhuma candidatura, mas evitar que os eleitores precisem escolher entre a própria segurança e o exercício do voto.

Quem estiver na fila poderá votar

Pelas regras eleitorais, a votação deste domingo está prevista para terminar às 17h, no horário de Brasília. Quem estiver na fila no momento do encerramento tem o direito de votar, mesmo que o procedimento termine depois do horário oficial.

O TSE também reforçou, neste domingo, a garantia de atendimento aos eleitores que estiverem nos locais de votação ou nas vias de acesso às seções no momento do fechamento, com distribuição de senhas para assegurar o voto.

A eventual extensão do horário depende de decisão da Justiça Eleitoral.