Capital tem protesto contra feminicídio com relatos de dor e pedidos por justiça

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(Foto: Redes sociais)

Ato na Avenida Afonso Pena também cobrou ampliação da rede de proteção às mulheres

Em uma manhã marcada por cartazes, relatos de dor e pedidos por justiça, a Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, foi tomada nesta terça-feira (21) por um protesto contra o feminicídio e a violência contra a mulher. A mobilização reuniu familiares de vítimas, autoridades e apoiadores da causa.

O ato foi idealizado pela sargento da Polícia Militar Betânia Kelly Rodrigues e reuniu participantes que caminharam pela região central da capital sul-mato-grossense em defesa de mais proteção e conscientização sobre a violência de gênero.

Entre os presentes estavam o ex-deputado estadual Edson Giroto e o deputado estadual Coronel David, além de familiares de vítimas de feminicídio e representantes de movimentos sociais. Cartazes com frases como “Nenhuma a menos” e “Somos mães, irmãs, filhas” marcaram a manifestação.

Caminhada e mobilização

A concentração começou na Praça Ary Coelho, por volta das 9h, e seguiu em caminhada até a Praça do Rádio Clube, na Avenida Afonso Pena. Segundo organizadores, a proposta é ampliar o ato para bairros da capital com palestras e ações de conscientização sobre sinais de violência e formas de denúncia.

A sargento Betânia destacou que o objetivo é manter o tema em evidência e reforçar a rede de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Relatos emocionam participantes

Durante o protesto, familiares de vítimas também compartilharam relatos de sofrimento. Entre eles, a professora Maria Auxiliadora Marques Mogatti, de 60 anos, irmã de uma subtenente vítima de feminicídio, que destacou a dor enfrentada pela família.

“É uma dor que a gente não tem como lidar, está bem difícil”, afirmou.

Cenário de violência preocupa

O ato ocorre em meio a dados que reforçam a preocupação com a violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. Apenas nos primeiros dias de abril, foram registrados centenas de casos de violência doméstica no estado.

Além disso, episódios recentes na capital incluem agressões graves e investigações em andamento pela Polícia Civil envolvendo mortes e tentativas de feminicídio, o que intensifica o alerta de autoridades e movimentos sociais.

Rede de apoio e denúncias

Em Campo Grande, o atendimento às mulheres em situação de violência é centralizado na Casa da Mulher Brasileira, que funciona 24 horas. No interior, Delegacias de Atendimento à Mulher atuam em diferentes municípios do estado.

As autoridades reforçam que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo número 180. Em casos de emergência, o atendimento imediato é feito pelo 190. Também há canais específicos de apoio via WhatsApp disponibilizados por programas de proteção à mulher.

A caminhada desta terça-feira buscou transformar o luto e a indignação em mobilização social e cobrança por mais segurança e políticas de prevenção.