Casos envolvendo Master, INSS e familiares colocam Lula e Flávio na defensiva

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O presidente Lula, à esquerda, e o senador Flávio Bolsonaro, à direita (Foto: Reprodução)

Presidenciáveis são cobrados por relações e investigações que passaram a ser exploradas pelos adversários

Investigações e suspeitas envolvendo aliados, familiares e personagens ligados aos dois principais candidatos à Presidência devem ocupar cada vez mais espaço na campanha eleitoral de 2026. De um lado, Lula (PT) é pressionado a explicar o encontro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta questionamentos sobre a relação com Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os episódios passaram a ser explorados pelas campanhas adversárias justamente quando a disputa aparece mais apertada nas pesquisas. No levantamento Datafolha divulgado em 21 de agosto, Lula tinha 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno, o petista aparecia com 47%, diante de 43% do senador.

No levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira (24), a diferença no segundo turno ficou ainda menor: Lula apareceu com 46% e Flávio com 45%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O cenário reforça a importância dos ataques e das respostas dos candidatos durante a campanha.

Relação com Daniel Vorcaro coloca candidatos na defensiva

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, tornou-se um dos principais personagens da disputa eleitoral. O nome dele aparece tanto nas explicações exigidas de Flávio Bolsonaro quanto nas cobranças feitas a Lula.

No caso de Flávio, o episódio envolve o filme “Dark Horse”, produção ficcional sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Mensagens divulgadas neste ano mostraram o senador pedindo recursos a Vorcaro para a produção. O valor citado nas negociações chegou a R$ 61 milhões.

A produção teria custado R$ 75 milhões, segundo documento apresentado em investigação. Permanecem questionamentos sobre a origem e a destinação dos recursos. A Polícia Federal também investiga suspeitas relacionadas ao financiamento do longa.

Flávio afirma que a prestação de contas foi realizada e, nos últimos dias, passou a dizer que o caso é uma questão encerrada. Ao ser questionado sobre o assunto, porém, o candidato voltou as críticas para Lula e para as investigações envolvendo Lulinha.

Lula também é questionado sobre encontro com ex-banqueiro

A relação de Vorcaro com integrantes do governo também atingiu Lula. O presidente se reuniu com o então dono do Banco Master em dezembro de 2024, em um encontro que não constava inicialmente de sua agenda oficial.

A reunião também contou com Gabriel Galípolo, que posteriormente assumiu a presidência do Banco Central. Lula afirmou que encontros com empresários fazem parte de sua rotina e minimizou a importância da reunião.

O caso ganhou novo peso político porque a investigação sobre o Banco Master continua em andamento. Segundo informações divulgadas pela CNN, a Polícia Federal pediu mais prazo para concluir a apuração envolvendo a instituição financeira e Daniel Vorcaro.

Lulinha vira alvo de ataques

Enquanto Flávio é pressionado pelo caso “Dark Horse”, Lula passou a enfrentar uma ofensiva relacionada ao filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

Ele é alvo de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência e possíveis relações com empresas interessadas em negócios com o governo. O nome de Lulinha também apareceu nas apurações relacionadas às fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.

A Polícia Federal investiga ainda a relação de Lulinha com a empresária Roberta Luchsinger. Mensagens e informações reunidas nas investigações passaram a ser utilizadas pela oposição para questionar a influência do filho do presidente junto ao governo.

Lula tem afirmado que acredita na inocência do filho, mas também defende que qualquer suspeita deve ser investigada pelas autoridades.

Fraudes no INSS entram no debate eleitoral

Outro assunto que ganhou espaço na campanha é a investigação sobre descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

O caso envolve sindicatos, associações, empresas e intermediários suspeitos de participar de um esquema que retirava valores diretamente dos benefícios de aposentados e pensionistas.

Entre os investigados está Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Segundo as investigações citadas pelas campanhas, empresas ligadas a ele teriam recebido dezenas de milhões de reais provenientes das entidades envolvidas no esquema.

O caso passou a ser associado politicamente ao debate sobre Lulinha por causa de contatos e relações empresariais investigados pela Polícia Federal. As apurações, no entanto, ainda estão em andamento e eventuais responsabilidades precisam ser definidas pelas autoridades competentes.

Eleição entra em fase de ataques mais duros

Com a disputa cada vez mais acirrada, os casos envolvendo Master, “Dark Horse”, Lulinha e INSS devem permanecer no centro da estratégia dos candidatos.

A expectativa é que temas relacionados a corrupção, investigações policiais e relações entre políticos e empresários ganhem ainda mais espaço na propaganda eleitoral. A primeira pesquisa Datafolha realizada já no período oficial de campanha mostrou que Lula e Flávio estão separados por quatro pontos em um eventual segundo turno, diferença que está dentro da margem de erro.

O cenário também coloca a Polícia Federal e o Judiciário sob os holofotes, já que parte das investigações que alimentam os ataques eleitorais ainda não foi concluída. Segundo informações divulgadas pela CNN, tanto o inquérito sobre o Banco Master quanto as apurações envolvendo Lulinha podem avançar para depois das eleições.

Assim, mais do que servir como argumento de campanha, os casos deverão testar a capacidade dos dois principais candidatos de responder às acusações e manter o foco em propostas enquanto a corrida pelo Palácio do Planalto se aproxima da reta decisiva.