Taxa básica está em 14% ao ano e pode recuar para 13,75% na quinta redução seguida
A taxa básica de juros do Brasil pode chegar nesta quarta-feira (16) ao menor patamar desde março de 2025. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir o rumo da Selic, atualmente em 14% ao ano, e a expectativa predominante entre analistas é de uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,75%.
Se confirmada, a decisão representará o quinto corte consecutivo da taxa. Na reunião anterior, em agosto, o Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano.
O anúncio está previsto para depois das 18h desta quarta-feira. A decisão ocorre em uma chamada “superquarta”, quando também será divulgado o resultado da reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
Por que o mercado espera uma queda
A perspectiva de novo corte ganhou força com sinais recentes de desaceleração da inflação e da atividade econômica brasileira.
O IPCA, índice oficial de inflação, registrou deflação de 0,32% em agosto. Com isso, a inflação acumulada no ano ficou em 3,11%, enquanto o índice em 12 meses chegou a 4,22%.
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (14) também mostrou redução na expectativa do mercado para a inflação de 2026. A projeção passou de 5% para 4,9%.
Para a Selic, a mediana das estimativas continuou em 13,75% ao ano no fim de 2026. Se esse cenário se confirmar, o corte desta quarta-feira seria o último do ano, segundo a projeção predominante do mercado.
Inflação ainda preocupa
Apesar da desaceleração recente dos preços, a inflação projetada continua acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central.
Desde 2025, o sistema de metas considera como objetivo uma inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
As projeções citadas no material analisado apontam inflação de 4,9% em 2026, 4,3% em 2027 e 3,8% em 2028, todas acima do centro da meta.
O Banco Central, ao decidir os juros, considera principalmente as perspectivas para a inflação futura. Isso ocorre porque os efeitos das mudanças na Selic sobre a economia não são imediatos e podem levar vários meses para aparecer.
Petróleo aumenta incertezas
A decisão desta quarta-feira também ocorre em meio à pressão internacional provocada pela alta do petróleo relacionada aos conflitos no Oriente Médio.
O aumento da cotação da commodity pode elevar os preços dos combustíveis e dificultar o processo de desinflação no Brasil.
Para reduzir parte desse impacto sobre os consumidores, o governo anunciou medidas envolvendo impostos e subsídios para combustíveis.
Mesmo diante desse cenário externo mais incerto, o mercado ainda trabalha majoritariamente com a possibilidade de redução da Selic nesta reunião.
O que acontece se a Selic cair
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros diminuem, a tendência é que o custo de empréstimos e financiamentos também recue, embora essa transmissão não seja imediata e as taxas cobradas pelos bancos dependam de outros fatores.
Juros menores também podem estimular o consumo e os investimentos, enquanto taxas mais elevadas tendem a reduzir a demanda e ajudar no controle dos preços.
O efeito completo de uma alteração na Selic, porém, aparece gradualmente na economia.
Mercado ainda diverge sobre os próximos cortes
Embora a projeção predominante do mercado indique Selic de 13,75% ao ano no fim de 2026, algumas instituições financeiras passaram a considerar novos cortes nas últimas reuniões do ano.
O Bank of America, por exemplo, revisou sua previsão e passou a projetar reduções de 0,25 ponto percentual nas reuniões restantes, cenário que levaria a Selic a 13,25% em dezembro. Essa, porém, não é a projeção mediana do mercado registrada no Boletim Focus.
Decisão do Copom
A reunião do Copom começou na terça-feira (15) e termina nesta quarta-feira (16). O anúncio da nova taxa Selic está previsto para depois das 18h.
A expectativa predominante é de que a taxa passe de 14% para 13,75% ao ano. O resultado oficial, no entanto, será conhecido somente após a conclusão da reunião.





















