Datafolha: 65% dos brasileiros dizem que preferem depender menos do governo

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Dados fazem parte de eixo econômico do Datafolha

Pesquisa mostra aumento da parcela que defende menor dependência do Estado e mudança na percepção sobre as causas da pobreza

Uma nova pesquisa do Datafolha indica mudanças na forma como os brasileiros enxergam o papel do governo e as causas da pobreza. Divulgado nesta sexta-feira (3), o levantamento mostra que aumentou tanto o número de pessoas que preferem depender menos do Estado quanto o percentual dos que associam a pobreza à falta de vontade de trabalhar.

Segundo a pesquisa, 65% dos brasileiros concordam com a afirmação de que “quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida”. Outros 31% disseram acreditar que “quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida”, enquanto 4% não souberam responder.

Em relação ao levantamento anterior, realizado em 2022, houve crescimento de sete pontos percentuais entre os que defendem menor dependência do Estado. Na época, esse grupo representava 58% dos entrevistados, enquanto 38% afirmavam preferir receber mais benefícios governamentais.

Na série histórica do Datafolha, iniciada em 2013, as duas opiniões apareciam empatadas, com 47% das respostas para cada lado.

Impostos e serviços públicos

O levantamento também investigou a percepção da população sobre o financiamento dos serviços públicos.

Metade dos entrevistados (50%) afirmou preferir pagar menos impostos e contratar serviços particulares de saúde e educação. Já 44% disseram que preferem contribuir com mais tributos para ter acesso gratuito a esses serviços oferecidos pelo poder público. Outros 6% não souberam responder.

O instituto destaca que, em 2022, a preferência era inversa: 48% defendiam pagar mais impostos em troca dos serviços públicos, contra 46% que preferiam uma carga tributária menor e a contratação de serviços privados.

Pobreza e mercado de trabalho

Outro dado que chamou atenção foi a mudança na percepção sobre as causas da pobreza.

O percentual de brasileiros que atribuem a pobreza, em grande parte, à falta de vontade de trabalhar passou de 22%, em 2022, para 40% em 2026, o maior índice registrado pelo Datafolha desde o início da série histórica.

Apesar disso, a maioria dos entrevistados (58%) continua afirmando que a pobreza está mais relacionada à falta de oportunidades iguais para a população. Em 2022, esse percentual era de 76%. Outros 3% não souberam responder.

Na série histórica, os percentuais dos que associam a pobreza à falta de disposição para o trabalho foram:

  • 2013: 32%;
  • 2014: 37%;
  • 2017: 21%;
  • 2022: 22%;
  • 2026: 40%.

Diferenças entre grupos

A pesquisa aponta diferenças de percepção entre faixas etárias e perfis dos entrevistados.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, houve empate técnico: 49% associaram a pobreza à falta de vontade de trabalhar, enquanto 48% atribuíram o problema à falta de oportunidades.

Já entre os jovens de 16 a 24 anos, 74% apontaram a desigualdade de oportunidades como principal causa da pobreza, enquanto 22% responsabilizaram a falta de disposição para o trabalho.

O levantamento também identificou diferenças conforme a ocupação profissional e o perfil do eleitorado pesquisado, além de cruzamentos com posicionamentos ideológicos elaborados pelo instituto.

Como foi feita a pesquisa

O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, entre os dias 17 e 18 de junho.

As entrevistas foram presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09956/2026.