Doença de Creutzfeldt-Jakob parece demências comuns, mas perda das funções é rápida

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Foto: Divulgação

Alterações de comportamento, esquecimento e dificuldade em tarefas do dia a dia podem parecer sinais de demência comum. Mas quando a deterioração acontece em semanas ou poucos meses, e não ao longo de anos, é preciso investigar uma causa muito mais rara e agressiva: a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), enfermidade neurodegenerativa provocada pela alteração de uma proteína chamada príon.

O que diferencia a DCJ das demais doenças neurológicas

Conforme explica o neurologista Dr. Pedro Levi, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), o traço mais característico é a velocidade de progressão.

“Enquanto muitas demências evoluem ao longo de anos, na DCJ a perda de capacidades cognitivas e motoras acontece de forma muito rápida”, destaca.

A forma mais comum da doença é esporádica — ou seja, surge sem causa aparente — e a sobrevida média é de cerca de um ano. Os primeiros sintomas costumam ser sutis e inespecíficos: apatia, irritabilidade, esquecimento, tontura e desequilíbrio.

Com o avanço, surgem mioclonias — espasmos musculares involuntários que podem ser disparados por som, luz ou toque. O diagnóstico exige combinação de exames de imagem, análise do líquor e atividade elétrica cerebral, sendo a confirmação definitiva por análise do tecido cerebral.

Não se transmite por convívio comum

Um dos maiores receios de familiares é o risco de contágio. A forma clássica da doença não é transmissível por contato cotidiano, ar, saliva ou convívio social.

Os casos raros de transmissão já conhecidos estão ligados a procedimentos médicos específicos de décadas passadas ou à doença da “vaca louca”, em outra variante.

Cuidados paliativos e suporte são o foco

Até o momento, não existe cura ou tratamento que interrompa a doença. A assistência é voltada ao controle de sintomas, conforto e qualidade de vida, com equipe multiprofissional que atua desde espasmos e dores até alterações de deglutição e nutrição.

Reconhecer a DCJ precocemente evita procedimentos desnecessários e permite que a família seja orientada e apoiada com antecedência sobre o curso da doença.