A votação que pode acabar com a escala 6×1, reduzindo a jornada de 44 para 40 horas e instituindo dois dias de descanso por semana, foi adiada para depois do primeiro turno das eleições. Enquanto o debate segue em Brasília, uma pesquisa da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) com 105 empresários de diferentes setores já revela o tamanho do desafio: mais da metade das empresas ainda opera no regime atual, e a maioria já tem dificuldade de contratar — o que pode tornar a transição ainda mais complexa.
O que muda e quem é afetado
A escala 6×1 significa trabalhar seis dias e descansar um. A mudança prevê jornada de cinco dias com dois de folga e redução da carga horária semanal. Na pesquisa, 57,1% das empresas adotam hoje a escala 6×1 integralmente e outros 10,5% em parte das equipes.
A proibição do modelo atinge principalmente comércio, serviços, saúde, segurança, hotelaria e transporte — setores que funcionam de forma contínua e que dependem de escalas para manter o atendimento.
Custos, contratações e mão de obra em falta
Os maiores receios dos empresários ouvidos são: aumento de custos operacionais (28,6%), queda de produtividade (24,8%) e necessidade de contratar mais gente (20%).
Quase metade dos respondentes — 44,8% — afirma que precisaria ampliar o quadro de funcionários para manter a operação.
E o obstáculo maior: 84,7% já dizem ter dificuldade de encontrar mão de obra. Ou seja, a mudança exigiria contratar mais gente justamente quando já falta gente para trabalhar.
Benefícios também são reconhecidos
A pesquisa mostra que o empresariado não é contra a mudança em si: 64,6% acreditam que jornada mais equilibrada pode aumentar a produtividade, e 40,2% reconhecem que o novo modelo ajuda a atrair e reter talentos.
O que a maioria defende, porém, é flexibilidade: 35,7% querem regras diferentes conforme o ramo de atividade, e 27,6% preferem modelo flexível como o proposto na PEC 12. Apenas 25,5% aceitam obrigatoriedade geral da escala 5×2, e 11,2% querem manter como está.
Solução única não serve para todos
Para o presidente da ACICG, Omar Aukar, os dados mostram que o debate não pode ignorar a realidade de cada setor. “O empresário reconhece os benefícios, mas também demonstra preocupação com custos e contratações. Uma regra única pode gerar aumento de preços para toda a população”, alerta.
A proposta da entidade é que o novo modelo seja negociado com flexibilidade, permitindo que segmentos com funcionamento contínuo encontrem formas de se adaptar sem comprometer atendimento, emprego e preços.





















