Exposição “Entre Completudes e Efemeridades” abre nesta quinta-feira na FCMS

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Fotos: Hanna Cecília

A arte como travessia entre o visível e o sensível ganha forma na exposição “Entre Completudes e Efemeridades”, que será aberta nesta quinta-feira (30), às 19h, no Arquivo Público Estadual, localizado no 2º andar da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). Realizada pelo Coletivo Enegrecer, a mostra reúne artistas contemporâneos e obras de crianças do Quilombo Chácara Buriti, que participaram de oficina em março, em uma proposta que tensiona materialidades, memórias e percepções a partir de múltiplas linguagens. No evento de abertura haverá apresentações da banda BatuqueCanta, da artista Preta Princesa e da Dj Afro Queer. A entrada é gratuita.

Com curadoria de Auriellen Leonel, a exposição nasce de um movimento coletivo entre artistas que, além de suas vivências, também se colocam como pesquisadores. “As exposições não permeiam apenas pautas raciais. Os artistas também estão pesquisando, experimentando materiais e suportes, criando novas possibilidades sem perder a essência de suas trajetórias”, explica. A construção da mostra partiu de uma escuta compartilhada, onde as inquietações individuais se encontraram em um mesmo território de criação.

A proposta convida o público a perceber a efemeridade presente nas obras e a repensar aquilo que, muitas vezes, passa despercebido no cotidiano. “A expectativa é que o público sinta essa efemeridade e consiga olhar para as materialidades sob uma nova perspectiva, ressignificando o que antes era banal em algo que produza sentido”, afirma Auriellen. Ao deslocar objetos, suportes e gestos de seus usos convencionais, os artistas constroem um campo de experimentação que vai além do estético, alcançando dimensões simbólicas e transformadoras.

Nesta edição, o Coletivo Enegrecer amplia seu campo de atuação ao incorporar também artistas indígenas, fortalecendo o diálogo entre diferentes identidades e territórios. A exposição apresenta obras que se afastam da tela tradicional e exploram materiais alternativos, revelando uma produção diversa, contemporânea e conectada às urgências do presente. “Somos um grupo de artistas negros, pardos e indígenas, cada um com sua linguagem, mas caminhando juntos por um único intuito: fazer arte contemporânea em Mato Grosso do Sul com potência e criatividade”, destaca a idealizadora do projeto, Erika Pedraza.

Um dos destaques da mostra é a presença das obras produzidas por crianças da Comunidade Quilombola Chácara Buriti, resultado de oficinas de pintura e colagem realizadas pelo coletivo. Os trabalhos integram o espaço expositivo como parte central da proposta, reforçando o protagonismo dos jovens artistas. “A gente traz as crianças como artistas da exposição. Elas não estão ali como espectadoras, mas como parte do projeto, ocupando esse espaço com suas produções”, afirma Erika.

Para a artista, essa inserção tem impacto direto na formação e autoestima das crianças, especialmente diante das experiências atravessadas pelo racismo estrutural. “Quando elas se veem nesse lugar, sendo reconhecidas, isso fortalece. A arte também é uma ferramenta para que essas crianças cresçam com mais consciência, força e pertencimento”.

A abertura contará ainda com apresentações da banda BatuqueCanta, da artista Preta Princesa e da DJ Afro Queer, ampliando a experiência da noite e conectando diferentes expressões artísticas em um mesmo espaço.

“Entre Completudes e Efemeridades” se apresenta como um convite à percepção: um deslocamento do olhar que transforma o comum em potência e afirma a arte como território de encontro, pesquisa e existência.

Este projeto conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), executado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundac (Fundação Municipal de Cultura).